Estrangeiros criaram mais de 4300 empregos

O investimento captado em 2018 foi o maior depois da crise. AICEP tem em análise projetos avaliados em mais de dois mil milhões de euros.

O ano de 2018 foi o melhor de sempre no número de postos de trabalho criados em investimento direto estrangeiro captado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e também o ano em que mais contratos foram assinados.

Em 2018, foram criados mais de 4300 postos de trabalho e assinados 49 projetos num total de investimento de 1150 milhões de euros, dos quais 578 milhões de euros correspondem a benefícios fiscais. "Um marco para a AICEP", referiu o presidente da agência, Luís Castro Henriques, numa declaração ao DN/Dinheiro Vivo.

O investimento direto estrangeiro (IDE) captado pela AICEP refere-se apenas ao chamado investimento produtivo que cria valor e postos de trabalho. De fora desta categoria estão as transações financeiras, como, por exemplo, quando uma empresa estrangeira entra no capital de uma portuguesa (caso da China Three Gorges na EDP).

Coreanos e americanos

O ano passado também significou uma diversificação na origem do investimento direto estrangeiro em Portugal. Houve investidores dos tradicionais mercados espanhol e francês, mas também coreanos e norte-americanos.

Da Coreia do Sul, a Hanon Systems, que já está em Palmela há mais de 20 anos, reforçou no ano passado a presença em Portugal com um investimento inicial de 48,3 milhões de euros para a produção de compressores elétricos para sistemas de ar condicionado automóvel. Um pouco mais baixo é o investimento da norte-americana Amyris, que envolve um montante superior a 42,3 milhões de euros para investigação em biotecnologia sintética, no Porto. Ainda dos Estados Unidos, a ATEP-AMKOR (ex-Qimonda) assinou no início de 2018 um acordo de investimento no valor de 20,5 milhões de euros para reforço de produção na unidade de Vila do Conde.

Com um montante próximo de 50 milhões de euros, a Renault Cacia assinou em maio do ano passado um novo contrato de apoio ao investimento para expansão da fábrica de Aveiro para produção de novas caixas de velocidade.

De acordo com a AICEP estão atualmente em avaliação cerca de 2024 milhões de euros em projetos de investimento produtivo.

O ano de 2019 pode ser melhor

Se o ano passado representou um dos melhores de sempre desde a criação da AICEP, 2019 pode registar um novo recorde de investimento produtivo. De acordo com a Agência para o Investimento, estão atualmente em avaliação cerca de 2024 milhões de euros em projetos.

Muitos dos novos projetos estão ligados a centros de desenvolvimento de competências. De acordo com o presidente da AICEP "em 2018, foram angariados 22 centros, representando quase 3700 postos de trabalho. Alemanha e França foram os principais países de origem. Em 2018, o caso mais visível foi o da Google", destacando ainda o centro da Volkswagen, investimento da BMW em parceria com a Critical Software.

Exemplos

Ar condicionado

É um dos maiores investimentos de 2018, avaliado em cerca de 48 milhões de euros. A sul-coreana Hanon produz compressores elétricos para automóveis em Palmela.

Biotecnologia

A partir do Porto, a norte-americana Amyris pretende desenvolver novas moléculas para as indústrias alimentar, cosmética, industrial e farmacêutica. O investimento inicial foi superior a 42 milhões de euros.

Semicondutores

O novo projeto da ATEP-AMKOR, ex-Qimonda, permitiu a criação de 102 postos de trabalho diretos em Vila do Conde. O investimento ascende a cerca de 20 milhões de euros no desenvolvimento de semicondutores.

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