Mudam as cadeiras. Mudará o mercado de capitais ​​​​​em Portugal?

Além da vitória da Seleção Portuguesa de Futebol frente ao Uruguai (2-0), que marcou o arranque da semana, por cá, e na área económica, há a destacar a mudança de cadeiras na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e na Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). A cerimónia de apresentação dos órgãos oficiais da CMVM e da ASF decorreu ontem. Em instituições tão relevantes para o mercado como estas, durante décadas (a CMVM foi criada a 10 de maio de 1991 e a ASF nasceu a 17 de novembro de 1982, com a designação de ISP) só homens de fato e gravata ocupavam as cadeiras do poder. Mas a situação tem vindo a alterar-se.

As mulheres (com mérito) entraram e vão continuar a ascender às administrações destas e outras organizações que estruturam a economia de um país. Neste caso, a vice-presidente da CMVM é agora uma mulher, Maria Inês Ferreira Drumond de Sousa, o presidente do conselho de administração Luís Laginha de Sousa e os vogais do conselho de administração contam com Teresa Maria Pereira Gil e ainda com Juliano Filipe Loureiro Ferreira. Já a ASF tem dois novos membros: Maria Adelaide Rodrigues Marques Cavaleiro e José Diogo Duarte Santos de Alarcão e Silva, ambos nos cargos de vogais do conselho de administração. Houve o cuidado de escolher mulheres e homens, em mesmo número, ao invés do que sucedeu anos a fio.

Nessa ocasião, o ministro das Finanças reafirmou a confiança nas instituições e respetivos novos responsáveis e acrescentou a necessidade de ter "equipas rejuvenescidas e com diversidade de experiência". Será esta equipa "rejuvenescida" que terá de arregaçar as mangas e pôr em marcha um pacote de medidas fiscais de apoio ao mercado de capitais que o Executivo está a preparar. Será um pacote que "apoiará o desenvolvimento do mercado de capitais e da poupança de longo prazo em Portugal", avançou Fernando Medina. E bem precisa! Ao contrário de outros países, em Portugal o mercado de capitais há muito deixou de ser atrativo para pequenos investidores, e até para os grandes. Com o fim do "capitalismo popular", cada vez menos particulares e empresas recorrem ao mercado de capitais. E numa altura instável como a que vivemos e às portas de uma desaceleração a partir de janeiro, as empresas irão sentir necessidade de encontrar novas formas de financiamento, e o mercado de capitais pode e deve ser uma das soluções.

O governo afiançou que quer alterar a atual realidade com a ajuda dos órgãos de supervisão e regulação. Em suma, a pressão já começou. Medina alertou: "Enfrentamos meses de elevadas incertezas com a pandemia, a guerra na Ucrânia e também no contexto de subida das taxas de juros", e perante este cenário a regulação e supervisão têm um papel fundamental. Ficaremos atentos para ver e crer.

Diretora do Diário de Notícias

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