E a economia aguenta? Ai, não aguenta, não. E o SNS também não

Quais serão os custos de adaptação das empresas ao novo normal? E as consequências para o SNS...

Os especialistas estão pouco convencidos quanto à reabertura da economia, já a partir de dia 2 de maio. Os cientistas receiam que se deite tudo a perder e que a reabertura custe mais quatro mil internamentos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Um número desta dimensão poderá ser o verdadeiro stress test ao SNS, no qual será muito difícil passar com nota positiva.

O SNS tem feito um trabalho excecional, reconhecido por todos os partidos políticos e por todos os portugueses. Mas o SNS sabe que tem um limite a partir do qual o risco de descontrolo é real, tão real como a covid-19.

O risco de uma segunda vaga de contágio é grande e voltar atrás pode ser mais difícil para a própria economia e para a nossa vida enquanto sociedade do que continuarmos a resguardar-nos e a prevenir. Travar, destravar e voltar a travar pode ter um impacto tão doloroso ou pior do que ficar em confinamento mais umas semanas. A depressão vai agravar-se e a sensação de desilusão é desmobilizadora.

E a economia aguenta? Não, não aguenta. A cada semana que passa, entram mais uns milhares de portugueses nas listas dos desempregados e dos novos pobres.

"Em quase três décadas de trabalho no Banco Alimentar, nunca se viu nada assim", diz Isabel Jonet, presidente da instituição.

Mas a procissão ainda vai no adro e as consequências económicas são devastadoras. Muitas empresas não vão reabrir, muitos empreendedores pensarão duas ou três vezes se voltarão a arriscar as suas poupanças em projetos de hotelaria, restauração e outros.

A reabertura da economia carece de muito planeamento, sem pressas. Não se pode tomar decisões cruciais a olhar para as sondagens de popularidade. Se algum planeamento existe, então tem de ser conhecido. Se o planeamento público para o relançamento da atividade económica continua fechado nas gavetas dos ministérios, então está na hora de o dar a conhecer aos agentes sociais e económicos para que se possam preparar para a reabertura, mas também fazer contas e decidir se, com as regras impostas, compensa ou não compensa abrir as portas.

No casos dos restaurantes e das creches, muitos já vieram denunciar a situação de dificuldade económica em que se encontram e sublinham que a reabertura sem a capacidade máxima ou sem todas as valências contempladas não compensa os encargos necessários para funcionar e garantir as máximas condições de higiene e segurança.

Quais serão os custos de adaptação das empresas ao novo normal? A pergunta é levantadas por várias empresas, das micro às grandes. Tudo dependerá das imposições que vierem a ser conhecidas. Haverá pequenas obras a fazer, anteveem. É preciso criar divisórias, colocar barreiras, instalar acrílicos, máscaras, gel desinfetante, batas, botas, etc. - e isso vai custar dinheiro. Mesmo que não estejamos a falar de investimentos avultados, para as empresas cuja caixa registadora está vazia não há como fazer frente a mais e novas despesas.

Irá o governo ter atenção a esta fase de adaptação também ao nível do financiamento? Espero que sim. Mas não se pode esquecer que as regras para a reabertura a partir de 2 de maio não devem ser conhecidas na véspera, por sinal dia de feriado mundial.

O planeamento é um dos segredos de um trabalho com sucesso e, tal como na televisão, o melhor improviso é aquele que é preparado.

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