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Japão

Japão volta a ter porta-aviões depois da Segunda Guerra Mundial

O orçamento militar japonês ronda apenas 1% do PIB, mas o anúncio da transformação dos porta-helicópteros Izumo e Kaga e a compra de 42 F-35Bs aos Estados Unidos revela uma atitude em sintonia com a fama de falcão do primeiro-ministro Abe. Com a tensão com a Coreia do Norte longe do nível máximo, a China surge como a principal razão para a opção que alguns, incluindo no Japão, veem como desrespeito à Constituição pacifista.

Se alguém tem dúvidas sobre a projeção de poder que traz um porta-aviões, basta pensar no ataque japonês a Pearl Harbor. Naquele 7 de dezembro de 1941, que resultou na destruição de boa parte da frota americana do Pacífico e em mais de dois mil mortos nas tripulações, o Japão mobilizou seis porta-aviões, as estrelas de uma frota que para atacar o distante Havai contava com 50 navios e submarinos, além de 400 caças. E se, quase como uma vingança, o Shinano, o maior navio construído durante a Segunda Guerra Mundial, foi afundado por um submarino americano em finais de 1944, isso não significa que o potencial destruidor dos porta-aviões japoneses não tenha ficado fortíssimo no imaginário popular. A ponto de se refletir nas reações ao recente anúncio do regresso dessa categoria de barcos de guerra à marinha nipónica - na realidade a transformação dos dois porta-helicópteros Izumo e Kaga em porta-aviões.

A Coreia do Norte com mísseis nucleares mantém-se a ameaça maior a curto prazo, mas a crescente aposta da China no fortalecimento da sua armada é evidente como risco futuro para o primeiro-ministro Shinzo Abe, que, ao prometer comprar aos Estados Unidos aviões F-35Bs e sistemas antimíssil Aegis, não se importa de ser chamado de falcão e de defender a revisão do artigo 9.º da Constituição pós-Segunda Guerra Mundial, de matriz pacifista.

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