Premium Testaram qigong em estudantes de Gaia. E conquistaram os chineses

Jovens portugueses, ambos com a intenção de seguir o curso de Medicina, aplicaram técnica de medicina tradicional chinesa a estudantes de dois colégios em Vila Nova de Gaia. Houve uma redução de 13,7% nos níveis de ansiedade.

Como são desportistas, pensaram fazer uma investigação sobre a aplicação de plantas terapêuticas a lesões desportivas, mas foram desafiados a algo diferente: testar o qigong, técnica de medicina tradicional chinesa, na diminuição da ansiedade dos estudantes. Não faziam ideia do que se tratava, mas aceitaram o desafio. Com o projeto desenvolvido para a disciplina de Química, António José Dias e João Azevedo, alunos do 12.º ano do Colégio Cedros, em Vila Nova de Gaia, conquistaram dois prémios na Feira Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que decorreu de 14 a 20 de agosto, em Chinqing, na China.

Foi a primeira vez que Portugal participou no evento. O projeto foi desenvolvido na disciplina de Química, sob orientação de Nuno Francisco, que acompanhou os alunos à China. "No colégio, temos a liberdade para fazer coisas diferentes, aplicamos uma metodologia com projeto de investigação", explica o professor, destacando que a ideia de testar o qigong partiu de Jorge Machado, professor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Três meses de prática

Participaram na investigação 104 alunos do Colégio Cedros e do Colégio Horizonte, do 7.º ao 10.º ano, divididos por três grupos, tendo apenas um recebido a técnica. "Uma arte marcial milenar, muito parecida com o tai chi e o yoga, muito conhecida na China. Consiste num conjunto de movimentos físicos e respiratórios simples que conduzem a uma diminuição da ansiedade, aumento da concentração, introspeção, autodomínio", explica o docente.

O objetivo era aferir até que ponto a aplicação da técnica contribuía para uma diminuição da ansiedade nos estudantes. Uma ideia que, segundo António Dias, foi recebida "com algum ceticismo por professores e alunos, porque a medicina tradicional chinesa ainda é vista como uma coisa pouco realista".

Entre janeiro e março, o grupo recebeu oito sessões de qigong e foi convidado a praticar em casa, tendo sido feitas avaliações antes da aplicação da técnica, a meio e no final. E foram realizados três tipos de testes: um psicológico para medir a atenção, outro para a ansiedade e um teste bioquímico de análise do cortisol salivar.

Entre os resultados, António Dias destaca "uma melhoria de 13.7% nos níveis de ansiedade no grupo que experimentou a técnica". Empiricamente, diz o orientador, já era possível observar diferenças antes e depois das sessões. "Até os professores queriam fazer", conta Nuno Francisco, realçando que houve algumas melhorias do ponto de vista académico e mesmo uma redução da medicação em alunos com défice de atenção.

A China rendeu-se

Na China, recorda o docente, "houve uma recetividade muito grande em relação ao projeto", que recebeu "imensas visitas de estudantes e famílias". Destacou-se entre mais de 80 projetos a concurso, de um total de 45 países.

O prémio especial, adianta, só costuma ser atribuído a projetos chineses, o que deixou a equipa portuguesa ainda mais satisfeita. "Além disso, será a melhor representação nacional numa feira de ciência e tecnologia, já que um só projeto foi premiado duas vezes".

Para os jovens estudantes, António Dias diz que foi "um reconhecimento pelo esforço" que tiveram ao longo do ano. Por agora, o objetivo é publicar um artigo científico numa revista internacional de medicina. "Seria a cereja no topo do bolo. É algo muito importante para pessoas da nossa idade. Dá-nos alguma vantagem", diz o jovem, que espera entrar no curso de Medicina neste ano.

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