Premium Super-heróis vs. gangsters, vol. 2

Isto aconteceu no início de Outubro: um realizador de cinema com mais de 70 anos explicou durante uma entrevista que não considerava os filmes de super-heróis "cinema", mas antes algo mais parecido com "um parque de diversões". Não é novo e já aconteceu antes. O que não costumava acontecer é que, ao longo das semanas seguintes, todos os realizadores de cinema com mais de 70 anos receberam telefonemas a recolher depoimentos sobre o assunto. O que também não acontecia era a possibilidade de, se passarmos tempo suficiente online e carregarmos em todos os botões certos, sabermos o que pensam sobre isto duzentas pessoas diferentes e obrigarmos outras cinquenta a saber o que nós pensamos.

Às primeiras impressões, o caso parece um exemplo simples de clivagem geracional. Kingsley Amis dizia que não gostava de ler romancistas mais jovens porque ficava sempre com a sensação de estar a ouvir uma única mensagem: as coisas já não são dessa maneira; agora são desta maneira. Há um vídeo de um youtuber português intitulado "Luta na piscina com os meus amigos!" Se o mostrarmos a um realizador de cinema com mais de 70 anos, é provável que ele pense qualquer coisa como "isto são oito minutos de adolescentes a brincar numa piscina". Caso se aventure em considerações públicas mais incisivas, é provável que alguém o informe de que esse vídeo foi visto por seiscentas mil pessoas, muitas delas com opiniões fortes sobre quem o fez (alguém, já agora, que ganha por ano o mesmo que ganha o actual treinador do Benfica). É até possível que algumas dessas pessoas achem que "Luta na piscina com os meus amigos!" merece mais do que números impressionantes: que merece prémios, lugares em museus e aclamação crítica consensual.

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