Premium Partidos querem controlar o passado dos seus candidatos

Verificar as vidas dos políticos e candidatos, no passado, é como os partidos podem defender-se de posteriores casos de conflitos de interesses ou escândalos. Por agora, os principais partidos não têm nenhum método para conhecer o passado dos seus candidatos. Mas querem ter.

OCiudadanos, em Espanha, contratou uma "agência de inteligência privada" para investigar o passado dos seus candidatos. Barack Obama, quando era presidente dos EUA, obrigava os seus nomeados a responder a um inquérito de 63 perguntas. Emmanuel Macron dispõe de uma equipa que faz a verificação curricular de todos os possíveis membros da sua força política. Em Portugal, oficialmente, nenhum dos partidos parlamentares faz nada de parecido. E isso pode ser um problema.

É uma falha, considera Nuno Garoupa, professor na George Mason University, para quem é "absolutamente inexplicável que não seja feito" qualquer escrutínio dos candidatos. A verificação do percurso passado de deputados, ministros, autarcas, nomeados para cargos públicos, "é uma boa medida", acrescenta Luís de Sousa, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, especialista nos efeitos da corrupção sobre o sistema político.

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.