Quem é quem na equipa de Biden? Democrata opta pela experiência

Presidente eleito já começou a revelar os nomes da sua equipa, que terão de ser confirmados pelo Senado. Muitos já trabalham há vários anos com ele e são nomes reconhecidos nas suas áreas.

A Casa Branca deu finalmente luz verde para a transição de poder, que ocorrerá com a tomada de posse do democrata Joe Biden a 20 de janeiro, apesar de o presidente Donald Trump ainda não ter oficialmente reconhecido a derrota.

Biden não parece preocupado com esse aspeto e já está a pensar no futuro, tendo anunciado os primeiros nomes da sua equipa, nomeadamente os da área da diplomacia e da Segurança Interna, com os media norte-americanos a levantar também o véu para a equipa económica.

Os nomeados por Biden terão de passar pelo crivo do Senado, que tem maioria republicana, algo que só poderá mudar com as segundas voltas na Georgia, que apenas se realizam em janeiro.

"Apesar de esta equipa ter uma experiência e realizações incomparáveis, também refletem na ideia de que não podemos enfrentar estes desafios com pensamentos antigos e hábitos inalterados", disse Biden na apresentação equipa, nesta terça-feira, lembrando que nomeou o primeiro latino para a Segurança Interna e a primeira mulher para dirigir as Secretas.

Estes são os nomes já conhecidos da equipa, pronta desde o "primeiro dia", referiu Biden.

Secretário de Estado: Antony Blinken

O futuro chefe da diplomacia dos EUA tem 58 anos e viveu entre os 9 e os 18 em Paris. Antony Blinken está ao lado de Biden há quase duas décadas, tendo sido chefe de equipa de 2002 a 2008, quando o então senador estava à frente da Comissão de Negócios Estrangeiros do Senado.

Depois participou em 2008 na campanha presidencial de Biden e, quando este foi escolhido para vice-presidente de Barack Obama, acabou por regressar à Casa Branca, onde já tinha estado com Bill Clinton. Foi então conselheiro de Segurança Nacional de Biden, antes de passar para o Departamento de Estado, onde foi vice de John Kerry.

Blinken começou em 1993 a trabalhar no gabinete de Política Europeia do Departamento de Estado, acabando no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca de Clinton, com as áreas da política europeia e canadiana. Era ele também um dos responsáveis por escrever os discursos do presidente sobre política externa.

Segurança Interna: Alejandro Mayorkas

Será o primeiro imigrante e o primeiro latino à frente do Departamento de Segurança Interna, tendo sido número dois de 2013 a 2016, durante a presidência de Obama, depois de ter passado quatro anos como diretor dos serviços de Imigração e Cidadania.

Mayorkas, que é formado em Direito, nasceu há 60 anos em Havana, Cuba, tendo a sua família (a mãe era uma judia romena que tinha fugido ao Holocausto e o pai um sefardita) deixado a ilha após a vitória da Revolução Cubana. Na presidência de Obama, foi um dos que ajudaram a negociar a normalização das relações com Cuba, uma política que Donald Trump reverteu.

"Quando era muito novo, os EUA providenciaram a mim e à minha família um local de refúgio. Agora, fui nomeado para ser o Secretário de Segurança Interna e supervisionar a proteção de todos os norte-americanos e aqueles que fogem da perseguição à procura de uma vida melhor para si e para os seus", escreveu no Twitter.

Noutra mensagem disse que trabalhará para "restaurar a fé nas instituições e proteger a nossa segurança aqui em casa". Na presidência de Obama, ajudou a desenhar a DACA, a política que permitiu às crianças que chegaram ilegalmente aos EUA ficarem isentas de deportação e terem autorização de trabalho, outra das iniciativas que Trump quis reverter.

Secretária do Tesouro: Janet Yellen

A sua nomeação ainda não é oficial, mas os media norte-americanos indicam que Janet Yellen é a escolhida de Biden para a Secretaria do Tesouro. Será a primeira mulher a assumir esta pasta em 231 anos de história.

Yellen, uma economista de 74 anos, esteve à frente da Reserva Federal (o banco central dos EUA) entre 2014 e 2018 - também foi a primeira mulher nesse cargo - e foi a principal conselheira económica de Bill Clinton. É casada com o Nobel da Economia de 2001, George Akerlof.

Ao contrário do que tinha vindo a ser habitual, e para reforçar a ideia de independência da Reserva Federal, era habitual o presidente reconduzir no cargo por mais quatro anos o governador que tinha herdado do antecessor. Contudo, Trump recusou fazê-lo com Yellen, optando por nomear Jerome Powell.

À frente do Tesouro, Yellen herda uma economia abalada pela pandemia de coronavírus, com milhares de norte-americanos desempregados, e um papel mais difícil de ter de negociar um novo pacote de ajuda financeira com democratas e republicanos no Congresso.

Secretas: Avril Haines

A antiga número dois da CIA será a primeira mulher diretora da Inteligência Nacional, que agrupa quase duas dezenas de secretas. Avril Haines, de 51 anos, já trabalha com Biden há mais de dez, tendo sido vice-conselheira da Comissão de Negócios Estrangeiros dos Senado entre 2007 e 2008, quando ele estava na liderança (trabalhou por isso com Blinken).

Haines, que nasceu em Nova Iorque, estudou Física em Chicago e Direito em Georgetown. No seu currículo tem ainda o facto de saber pilotar aviões, ter trabalhado numa oficina de carros e ter sido dona de uma livraria.

Durante a presidência de Obama, foi assistente do presidente e principal adjunta do conselheiro de Segurança Nacional (substituindo Blinken, que tinha ido para o Departamento de Estado).

O cargo de diretor de Inteligência Nacional foi criado após os atentados de 11 de setembro de 2001, para melhorar a coordenação das várias secretas a atuar em solo norte-americano. Segundo os especialistas, o facto de Biden ter anunciado o nome da diretora da Inteligência Nacional antes da sua escolha para diretor da CIA mostra que o cargo será central na sua presidência.

Embaixadora para a ONU: Linda Thomas-Greenfield

A futura embaixadora dos EUA para as Nações Unidas tem mais de três décadas de experiência no Departamento de Estado, tendo passado pelas missões em países como Libéria, Suíça, Paquistão, Quénia, Gâmbia, Nigéria ou Jamaica. Na presidência de Obama, Linda Thomas-Greenfield foi número dois do gabinete para os Assuntos Africanos.

Thomas-Greenfield, de 68 anos, tinha-se reformado em 2017 e desde então trabalhava para a empresa de diplomacia comercial da ex-secretária de Estado Madeleine Albright, além de ter dado aulas para o Instituto para o Estudo da Diplomacia.

"A minha mãe ensinou-me a liderar com o poder da bondade e da compaixão para tornar o mundo num lugar melhor. Levei essa lição comigo ao longo da minha carreira no Serviço de Relações Externas - e, se for confirmada, farei o mesmo como embaixadora para as Nações Unidas", escreveu no Twitter.

"Tive o privilégio de construir relações com líderes de todo o mundo nos últimos 35 anos. Como embaixadora dos EUA para as Nações Unidas, trabalharei para restaurar a posição da América no mundo e renovar as relações diplomáticas com os nossos aliados", acrescentou noutra mensagem.

Conselheiro de Segurança Nacional: Jake Sullivan

O futuro conselheiro de Segurança Nacional é outro dos que trabalham com Biden há vários anos, tendo sido precisamente seu conselheiro para esta área quando era vice-presidente (e quando Blinken deixou esse cargo). Foi também chefe de gabinete adjunto de Hillary Clinton, quando esta foi secretária de Estado, tendo tido um papel na sua candidatura presidencial.

Segundo a biografia oficial, publicada pela equipa de transição de Biden, "durante o seu tempo no governo, Sullivan foi um dos principais negociadores nas conversações iniciais que preparam o caminho para o acordo nuclear com o Irão e desempenhou um papel-chave nas negociações mediadas pelos EUA que levaram a um cessar-fogo em Gaza, em 2012". Além disso, terá ajudado a delinear a nova estratégia para a Ásia-Pacífico.

Sullivan, que tem 44 anos, será o mais jovem a ter o cargo desde McGeorge Bundy, que tinha 41 quando assumiu essa pasta na presidência de John F. Kennedy.

"O presidente eleito Biden ensinou-me o que é preciso para salvaguardar a nossa segurança nacional nos escalões mais altos do nosso governo. Agora, pediu-me para servir como seu conselheiro de Segurança Nacional. Farei tudo ao meu alcance para manter o nosso país seguro", escreveu no Twitter.

Enviado especial para o Clima: John Kerry

É o nome mais conhecido da equipa que Biden já revelou. O ex-secretário de Estado será o czar para o Clima na próxima administração, o que mostra a importância que o presidente eleito dá ao tema e à prioridade de voltar ao Acordo do Clima de Paris, que Trump rasgou. Na apresentação oficial, Kerry lembrou, contudo, que "Paris não chega" e é preciso fazer mais.

Foi Kerry que, em 2015, assinou o Acordo de Paris em nome dos EUA e, desde que deixou a Administração de Obama, fundou uma organização bipartidária que tem como objetivo chegar à neutralidade carbónica nos EUA até 2050.

"Será uma honra trabalhar com os nossos aliados e parceiros, junto com jovens líderes do movimento climático, para enfrentar a crise climática com a seriedade e a urgência que merece", escreveu no Twitter. Noutra mensagem, lembrou que volta ao governo para voltar a colocar a América no caminho na resposta ao maior desafio desta geração e daquelas que se seguem, publicando a foto de quando assinou o Acordo de Paris, com uma das netas ao colo.

Kerry, de 76 anos, é casado com a lusodescendente Teresa Heinz, que assumiu o império do ketchup Heinz após a morte do primeiro marido, o ex-senador John Heinz III, ficando depois à frente da fundação com o seu nome. Teresa e Kerry conheceram-se na Cimeira da Terra, em 1992, no Rio de Janeiro, tendo em comum essa veia ecologista.

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