PR e as eleições. O mais difícil está para chegar?

Marcelo Rebelo de Sousa já conta seis anos de mandato. Se, numa primeira fase, foi importante o contacto muito próximo com os cidadãos, até para reforçar a sua base de apoio popular, numa segunda fase, o Presidente da República resguardou-se mais e vincou o carácter institucional da sua função, durante a pandemia ou mesmo antes.

O primeiro mandato correu de feição, apesar da tensão crescente no seio da geringonça governativa, do impacto social e económico da covid-19 e de outras situações de difícil gestão como o desaparecimento das armas em Tancos ou a tragédia dos incêndios florestais. O segundo mandato é, por tradição, sempre mais difícil do que o primeiro. E, com as legislativas de dia 30, começam agora os grandes desafios.

No contexto de uma pandemia cuja passagem a endemia está mais demorada do que seria desejável, antevê-se um modelo de governabilidade marcado pela instabilidade ora à direita ora à esquerda, com os cenários de maioria absoluta afastados - pelo menos pelas sondagens -, os entendimentos entre partidos serão determinantes e devem ser exigidos como garante da estabilidade possível para os próximos quatro anos, ou seja, para o tempo que resta até ao final do segundo e último mandato do atual Presidente.

Na última mensagem de Ano Novo, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que é preciso "virar a página" do país, da pandemia, da crise económica e da política, com uma Assembleia da República e governo relegitimados e previsibilidade. Nessa altura, a 1 de janeiro, as sondagens não apontavam para qualquer possibilidade de maioria absoluta de nenhum partido (tal como hoje, como pode ler na sondagem da Aximage para DN, JN e TSF nas páginas 4 e 5 ) e o Presidente formulou votos para que o próximo parlamento saído das eleições "dê voz ao pluralismo de opiniões e soluções" e que o "governo possa refazer também ele a esperança e a confiança perdidas ou enfraquecidas e garanta a previsibilidade para as pessoas e seus projetos de vida".

Os portugueses anseiam, de facto, por essa previsibilidade, no mundo das empresas, no funcionamento da sociedade e na gestão do Estado. O povo está cansado das restrições das liberdades impostas pela covid-19 (mas tem-nas respeitado de forma exemplar), das guerras político-partidárias e de uma campanha eleitoral, por vezes, esvaziada de substância e de discussão das questões verdadeiramente importantes para o futuro do país e que se deixou enredar, na forma, por novos "atores políticos": coelhas, cães e gatinhos. O país não estava propriamente ansioso por conhecer os bichos de estimação de cada candidato às legislativas, mas quer conhecer as ideias de verdadeiros animais políticos com uma estratégia de médio e longo prazo para o país.

Haverá ainda rasgo e coragem de António Costa e Rui Rio para galvanizarem os portugueses com duas ou três ideias-chave dos seus programas e apresentarem, até sexta-feira (último dia da campanha), o núcleo duro das suas equipas, caso um deles venha a ser escolhido para primeiro-ministro? Quem serão os próximos ministros das Finanças, Economia, Saúde e Administração Interna? E que tamanho e orgânica terá o próximo governo?

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