Autoeuropa retoma produção para nível pré-pandemia

Fábrica do grupo VW em Portugal vai produzir 890 carros por dia de segunda a sexta e 1240 ao fim de semana. Encomendas do mercado alemão sustentam produção na unidade de Palmela.

A Autoeuropa já está a produzir tantos carros por dia como antes de a covid-19 chegar a Portugal. A maior fábrica de automóveis nacional retomou ontem as quatro equipas de laboração, graças às encomendas do mercado alemão.

Esta medida ajuda a conservar os 5600 empregos diretos da unidade portuguesa do grupo Volkswagen (VW) e também vai ajudar na recuperação dos efeitos da pandemia junto dos fornecedores de peças.

"Estamos em capacidade máxima: vamos conseguir produzir 890 carros por dia de segunda a sexta e ainda 620 ao sábado e ao domingo", detalha ao DN/Dinheiro Vivo o coordenador da comissão de trabalhadores, Fausto Dionísio.

A informação foi corroborada por fonte oficial da fábrica de Palmela. A Autoeuropa assinala os "excelentes indicadores da Alemanha", o principal destino das exportações desta unidade.

A "excelente aceitação" do veículo utilitário desportivo (SUV) T-Roc é a principal razão para a Autoeuropa conseguir retomar a normal produção a partir desta semana.

Nos últimos cinco meses, contudo, a empresa travou a montagem de carros: depois de ter declarado dias de não produção entre meados de março e de abril, a linha de montagem funcionou com apenas dois turnos nos dias úteis. Desde junho, a Autoeuropa contava com três turnos de laboração nos dias úteis.

Foram montados 98 032 carros na Autoeuropa até julho, menos 38,2% do que no mesmo período de 2019. Prevê-se o fabrico de 193 mil unidades em 2020. Em 2021, o SUV T-Roc entra no quarto ano de produção, o que tem gerado alguns receios sobre a manutenção da quarta equipa de montagem na fábrica.

Recuperação nas peças

Os fornecedores da fábrica também estão a beneficiar deste regresso à normalidade - mesmo com as medidas sanitárias anti-covid.

"As empresas já começaram a contratar mais pessoas, muitos deles temporários", assinala o porta-voz das comissões de trabalhadores do parque industrial da fábrica, Daniel Bernardino.

Até fevereiro, os fornecedores de peças contavam com 3 mil operários. No período do confinamento, tinham sido perdidos mais de mil postos de trabalho nestas empresas.

Mas mesmo com as contratações das últimas semanas, é esperado que o número total de trabalhadores nesta área "seja inferior" ao número antes da pandemia, por causa da maior flexibilização e eficiência.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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