Premium Portugal sob pressão alta 

Pensar a política externa portuguesa e a anatomia do nosso processo de decisão não é um exercício diletante, mas uma exigência da democracia. A velocidade dos impactos disruptivos em curso na geopolítica e na globalização económica deviam conduzir-nos a uma reflexão profunda sobre os métodos, as lógicas e os instrumentos que temos para projetar Portugal. Mas estamos a fazer isso?

A forma exaustiva com que acompanhamos sofregamente o penoso Brexit está a tirar-nos clarividência para pensar outras dinâmicas com impacto duradouro nos interesses permanentes de Portugal. Desde logo a potencial desagregação da ideia de uma Espanha com mínima convivência interna, enquadrada institucionalmente por uma Constituição aceite e respeitada, com o pêndulo da governação oscilando num espetro político tendencialmente mais moderado do que extremado. Tudo isto está, infelizmente, em causa de forma progressivamente deteriorada e com uma eleição à porta que pode alterar de vez os equilíbrios dos últimos 40 anos. Tendo Espanha uma influência tão grande na saúde da nossa economia, do nosso sistema financeiro e do nosso processo de decisão político, podemos estar descansados sobre a qualidade da avaliação prospetiva que faz toda a nossa máquina produtora de política externa, isto é, governo, Presidência da República, agências setoriais do Estado, serviços de informação, partidos políticos, think tanks, universidades?

O mesmo pode ser dito para as dinâmicas europeias ao virar da esquina, sobretudo a oficialização dos vários círculos de integração à la carte, os quais se aprofundarão com quem tiver condições para estar, deixando para trás todos os outros. Como estamos em Portugal a avaliar essa participação de geometria variável? De forma séria, realista, ou com base em intenções voluntaristas sem acautelar consensos internos sustentáveis ou mesmo esvaziando o alcance perante ciclos económicos menos generosos? Mais uma vez, governo, Presidência da República, agências setoriais do Estado, serviços de informação, partidos políticos, think tanks, universidades, estão a trabalhar estas questões de forma cuidada, e preventiva, ou continuamos a tomar decisões com impacto estratégico em cima dos acontecimentos e formatados por opções de terceiros?

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