Para opinar é preciso saber fazer

Treinadores de bancada há muitos em Portugal. São uma praga histórica no nosso país. Mas, antes de dar uns bitaites, convém saber fazer, dar provas, mostrar resultados, conhecer as regras do jogo e os recursos ao dispor. Falar apenas não basta, é preciso agir. Só quem sabe fazer acontecer tem a legitimidade para opinar, avaliar, construir e sugerir novos rumos para uma empresa ou para um país inteiro.

Têm mérito os empresários e gestores que, não precisando nem de exposição nem de protagonismo, decidiram dar a cara pela nova associação Business Roundtable Portugal (BRP), ontem oficialmente apresentada no Centro Cultural de Belém. À cabeça da organização, três líderes de peso, com legitimidade para apontar um melhor caminho para Portugal: Vasco de Mello (Grupo Mello), Cláudia Azevedo (Sonae e jornal Público) e António Rios Amorim (Corticeira Amorim). O foco está no crescimento das empresas e do país, na criação de mais e melhor emprego e num Estado mais competitivo, que contribua para o desenvolvimento da nação num momento único da história.

Espera-se que este grupo de executivos saiba ouvir e cooperar também com as associações e confederações empresariais já existentes. Portugal não precisa de ruturas num momento de crise económica e social como este, mas de união. Não é a altura de contar espingardas para um lado ou para o outro da barricada, mas sim de unir tropas e caminhar de frente para o inimigo.

Sem crescimento económico não haverá trabalho, entidades empregadoras, criação de riqueza e progressiva redução da pobreza que ainda assola o país. Sem crescimento não haverá liberdade e muito menos democracia.

Hoje falta ainda cumprir Portugal. Falta ambição a políticos e a gestores, que se contentam, tantas vezes, em gerir microfirmas locais e em encher os bolsos, em vez de almejar construir empresas globais e distribuir rendimento pelos seus trabalhadores, sem esquecer a responsabilidade social e cívica que têm para com eles. E sem trabalhadores qualificados, remunerados de forma justa e a tempo e horas, não há empresas de qualidade nem com futuro.

E o Estado, o que pode fazer mais? Pode criar o ambiente propício ao desenvolvimento empresarial e concorrencial, pode acelerar o Simplex e a desburocratização, criar mecanismos de modernização da justiça e da saúde, digitalizar de vez a Administração Pública e servir de motor a um veículo cujas quatro rodas são compostas por empresas, pessoas, terceiro setor e sociedade civil. São essas quatro rodas que podem tirar o país da crise. É por isso necessário que a "bazuca" europeia injete combustível novo neste veículo.

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