Ficaram presos numa gruta da Cantábria, mas saíram pelo próprio pé: "Nunca houve pânico"

Depois de mais de 48 horas fechados nas grutas de Cueto-Coventosa, para onde entraram no sábado para uma expedição que deveria ter durado 30 horas, os quatro espeleólogos portugueses saíram pelo próprio pé e bem-dispostos. Estavam preparados para situações destas, mas a logística cá fora também funcionou... e bem.

Carlos Mendes, Luís Sousa, Daniel Pinto e António Afonso estiveram retidos, desde sábado até à tarde de segunda-feira, numa gruta no norte de Espanha. A expedição era para ter durado 30 horas, mas assim que não apareceram a equipa do Clube de Montanhismo Alto Relevo de Valongo, a que pertencem, deu o alerta às autoridades portugueses e espanholas.

Desde a manhã de segunda-feira que os olhos estavam postos nas grutas de Cueto-Coventosa, na região da Cantábria, norte de Espanha. Cá fora, elementos do clube explicavam que eles estavam preparados para esta situação, que tinham mantimentos e equipamento que lhes permitiria manterem-se quentes. O que fazia acreditar que estariam bem, restava saber apenas quanto tempo é que as equipas de resgate levariam até conseguir resgatá-los.

Ao início da tarde foram localizados e às 18 horas locais (menos uma hora em Lisboa) estavam a chegar à entrada da gruta e a sair pelo seu pé, bem-dispostos e apenas "preocupados com as famílias".

Afonso Costa, das Caldas da Rainha e profissional de turismo, foi o quem transmitiu aos jornalistas o que viveram e o que sentiram: "Estamos cansados, mas não houve pânico", garantiu. "Fomos surpreendidos pelo tempo, pela subida das águas, mas sabíamos que as águas iriam descer. Estávamos à espera", afirmou o português.

O grupo de quatro ficou retido no sábado no interior da gruta que ficou bloqueada pela água, não tendo outra alternativa senão "esperar o tempo necessário" para que baixasse, mas "não havia problema, estávamos preparados. Tínhamos comida para três dias".

No entanto, sabiam também que seria lançada uma operação de resgate. Poderiam ter saído pelo próprio pé, mas a equipa do clube a que pertencem estava atenta, "funcionou e funcionou bem", referiu.

Os quatro portugueses entraram na gruta no sábado de manhã, mas domingo à noite ainda não tinham regressado. Pelas 22.00 locais, uma equipa de socorro entrou no interior da gruta pela entrada de Coventosa, ainda que apenas tenha conseguido avançar cerca de 50 metros devido à força das águas.

Durante toda a noite permaneceram na gruta duas equipas, às quais se juntou uma terceira nesta manhã para trabalhos de resgate, em que participaram 40 pessoas, entre espeleólogos, agentes da Guardia Civil e elementos da Proteção Civil.

Assim que foram encontrados, entrou na gruta uma médica da equipa de socorristas para confirmar o seu estado de saúde.

As autoridades espanholas sublinharam o "extraordinário" profissionalismo das equipas de resgate e a coordenação "excecional" entre todos os corpos que participaram na busca, sempre acompanhada pelas autoridades portuguesas, que estiveram em contacto com o governo da Cantábria através do cônsul em Espanha.

Com Lusa

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