Empresa egípcia contrata 150 pessoas para centro tecnológico em Portugal

A partir de janeiro, Lisboa vai receber o centro tecnológico da Swvl, uma startup que está a revolucionar a mobilidade em países sem transportes públicos.

É uma startup egípcia e vai contratar 150 pessoas para um centro tecnológico que vai abrir em Lisboa já no próximo ano. A cidade foi escolhida para o primeiro centro tecnológico da Swvl no continente europeu.

A startup está a revolucionar a mobilidade em África ao colocar transportes públicos em cidades sem estas infraestruturas e apenas graças a uma aplicação pelo telemóvel. "Teremos uma equipa inicial, de 20 pessoas, pronta para arrancar em janeiro. Os restantes candidatos vão entrar por fases. Já estamos à procura de um diretor de engenharia, que depois vai ajudar a recrutar a equipa local", adianta Nádia Pais, a portuguesa que gere os recursos humanos da Swvl a nível mundial.

O escritório da plataforma vai funcionar no espaço de trabalho LACS, nos Anjos. "Especialistas em engenharia de software, cientistas de dados e programadores serão as principais vagas abertas", acrescenta a responsável em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo.

A capital portuguesa ficou com um centro tecnológico que esteve à beira de ir parar à Alemanha, mas a qualidade dos engenheiros nacionais acabou por fazer a diferença. "O plano inicial era abrir um escritório em Berlim. Avaliei o local presencialmente e, depois, acabei por sugerir: porque não Lisboa? Está a tornar-se, sem dúvida, um novo hub tecnológico da Europa."

Os engenheiros portugueses, acrescenta Nádia Pais, "são muito competitivos, falam bem inglês e são extremamente dedicados, o que é raro encontrar noutros países. O preço também influenciou a decisão: embora estejamos a oferecer salários acima da média, se compararmos com a Europa, Lisboa oferece mais competitividade".

O escritório português da empresa do Egito também vai servir para atrair pessoas de outros continentes graças ao programa Tech Visa, que ajuda as companhias a atrair trabalhadores qualificados extracomunitários, ao facilitar-lhes a atribuição de vistos de residência e, assim, evitando longas filas de espera.

O que é a Swvl?

A Swvl vai desenvolver toda a componente tecnológica da aplicação que está a mudar os transportes no continente africano a partir de Lisboa. A empresa arrancou no Egito em 2017, onde "a rede de transportes pública no país é inexistente ou péssima. Não há paragens de autocarro, não há linhas fixas, não há passes mensais. É uma confusão", diz Nádia Pais.

Os três egípcios que lançaram a startup criaram uma aplicação móvel, com rotas predefinidas e horários fixos para que os locais passassem a ter um meio de transporte eficaz e "70% mais barato do que os carros da Uber".

O modelo de negócio da Swvl mistura o funcionamento de uma rede de transportes públicos com algo da Uber e já funciona em três países: Egito (Cairo e Alexandria), Paquistão (Islamabad, Karachi e Lahore) e Quénia (Nairobi). Há viagens feitas dentro das cidades, mas também já há carreiras para distâncias até aos 300 ou 400 quilómetros.

A partir da aplicação, os clientes podem pagar e marcar lugar nos miniautocarros de 15 lugares. No dia pretendido, vão para a paragem e aguardam pelo transporte, como num serviço público. Assim que a porta abrir, só têm de mostrar o código da viagem ao motorista e podem subir a bordo. "A solução é mais segura do que o normal, porque os passageiros sabem quem vai dentro do veículo. Existe ainda uma linha telefónica para reportar eventuais problemas."

Já a gestão de ativos é mais próxima do modelo Uber. "Trabalhamos com parceiros e selecionamos os motoristas, para garantir a segurança dos passageiros. Nós facilitamos os autocarros - há uma parceria com a Ford - mas eles não são nossos. Embora a manutenção dos veículos esteja garantida pela empresa."

A plataforma fica com uma comissão de 40% das viagens, mas atualmente está focada exclusivamente no investimento. Até agora, recebeu 73 milhões de euros em financiamento e tornou-se a startup a receber mais investimento no Egito. "Para nos tornarmos rentáveis, ainda vai demorar mais um ou dois anos", admitem. A Swvl quer entrar em 15 países em 2020, no continente africano e na região do Sudeste Asiático. No ano seguinte será a vez da América Latina. "Entrar em países com uma fraca rede de transportes públicos é o principal objetivo desta plataforma" e o centro tecnológico em Portugal pode ajudar a desenvolver uma solução para a mobilidade de milhões de pessoas.

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