Premium A todo o gás

Na ressaca de Helsínquia, bloqueámos o debate na esmagadora capacidade nuclear conjunta, na intromissão russa nas eleições americanas, na crença de Trump na palavra de Putin e no desprezo que tem sobre as instituições americanas. Tudo isto fez sentido na análise e chocou meio mundo, de tal forma que o presidente americano, quando regressou a Washington, foi obrigado à triste figura de desdizer parte do que tinha afirmado na cimeira. Não custa imaginar as garrafas de vodca que se abriram no Kremlin ao som das gargalhadas.

Tudo isto ajuda a olhar para parte da coreografia do evento, sendo que o mais relevante foi mesmo o que não foi dito em público, mas partilhado entre os dois na hora e meia em que estiveram sozinhos. De qualquer forma, há um elemento esquecido ao longo desta semana, tão ou mais impactante na geopolítica contemporânea, em particular no crucial debate europeu: a energia. Se Trump quer ganhar quota de mercado na Europa, sobretudo no gás, Putin não quer perder a que tem. Posto desta forma, os interesses são completamente antagónicos, o que não retira importância ao ângulo, dado que os europeus estão não só reféns deles como ainda têm os seus, o que significa que, na geopolítica da energia, nem tudo o que parece é. É o caso da frase dita por Putin na conferência conjunta em Helsínquia: "Nenhum de nós tem interesse numa subida repentina do preço do petróleo." Será mesmo que o Kremlin e a Casa Branca estão de braço dado neste desígnio?

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