Teqball. A nova modalidade desportiva que anda a seduzir jogadores por todo o mundo

Modalidade nasceu na Hungria e tem crescido a olhos vistos. Portugal vai ter o primeiro campeonato nacional a nível mundial. FC Porto, com a dupla Raul Meireles e Bosingwa, já deu que falar...

Jogar futebol numa mesa de pingue-pongue! É mais ou menos isto que resume o teqball, uma nova modalidade com pouco mais de dez anos nascida nos bosques húngaros e trazida para Portugal por Karoly Henczi. O empresário húngaro que preside à Federação Teqball Portugal chegou a Lisboa em 2016 "de propósito para divulgar" a modalidade desportiva que seduzia os húngaros.

Chegou com um sonho, o de ter um campeonato nacional de teqball, em que os mais ilustres clubes iriam querer competir pelo título nacional. "Muitos duvidaram, acharam a ideia muito estranha. Até eu me questionei por breves momentos se ia conseguir concretizá-lo", confessou ao DN, revelando que a modalidade foi sendo divulgada no "passa a palavra".

Um dos primeiros a ser seduzido pelo novo desporto foi Silas, o ex-treinador do Sporting, que o ajudou a criar a federação. Foi preciso investir muito dinheiro e alguma paciência, mas o campeonato aí está. Tem dez etapas... se a pandemia deixar cumprir o calendário. A prova vai arrancar no dia 26 de setembro e prolongar-se até 29 de novembro. As partidas vão ser disputadas nas categorias de singles, duplas e duplas mistas e distribuem prémios até 2500 euros.

O circuito nacional foi apresentado na quinta-feira na Embaixada da Hungria, em Lisboa, e promete fazer história, uma vez que será o primeiro campeonato da modalidade a nível mundial. "Estou certo de que o teqball tem um grande futuro em Portugal e a nível mundial. Há ainda a expectativa de tornar o teqball em modalidade olímpica, que é o sonho de todos os teqers", segundo o embaixador Miklós Halmai, que experimentou o novo desporto na mesa instalada nos jardins da embaixada.

Apesar de já estar em Portugal desde 2016, a modalidade só chegou ao conhecimento mais generalizado dos portugueses neste ano, quando se soube que Raul Meireles e Bosingwa formavam uma dupla terrivelmente vencedora de teqball em representação do FC Porto. O presidente da federação reconhece a importância do mediatismo dos dois dragões, que venceram o primeiro torneio de teqball realizado em Portugal, em dezembro de 2019, na divulgação da modalidade e espera que muitos mais jogadores possam aderir ao jogo depois de terminarem a carreira, uma vez que este desporto não tem limite de idade nem distingue género. Pode ser jogado por homens e mulheres, jovens e seniores, em lazer ou em competição.

"Temos mais de 50 clubes filiados, desde o pequeno clube de uma localidade pequena a emblemas da I Liga, que já assinaram um protocolo com a federação e vão competir. Já há atletas profissionais, formamos 70 treinadores e 74 árbitros", revelou Karoly Henczi, congratulando-se pelo facto de dizerem que "nunca houve uma modalidade que se implementasse tão rapidamente e com um crescimento a nível mundial como o teqball".

E tem seduzido muitos ex-jogadores como Chainho (embaixador nacional da modalidade), Simão Sabrosa, Ricardo, Vítor Baía, Luís Figo e Alan (futebol de praia), mas também Karembeu, Ronaldinho, Gullit, Robert Pires, Carlos Alberto, Materazzi, Litmanen ou Anelka já publicaram vídeos e fotografias nas redes sociais. Mas o jogo não seduz apenas ex-atletas, também João Félix, Bernardo Silva ou Neymar estão encantados.

Nasceu em 2012 de uma parceria entre um ex-jogador e um cientista


A modalidade foi criado em 2012 por dois húngaros Gábor Borsányi, ex-jogador profissional, e Viktor Huszár, cientista computacional, que tal como o presidente da federação portuguesa, costumava jogar com pingue-pongue com uma bola de futebol nas mesas de cimento espalhadas pelos parques e bosques da Hungria. Depois foram-lhe acrescentando dificuldades extra para o tornar mais emocionante e espetacular. A mesa plana deu lugar a uma mesa curva imprevisível ao toque da bola (igual à do futebol, mas mais leve) e em vez de jogarem com as mãos jogavam apenas com os pés e a cabeça.

Aos poucos o novo desporto foi ganhando regras e até já há campeonato mundial, depois de criada a Fédération International de Teqball (FITEQ) em 2017, com sede na Suíça, que já conta com mais de 60 países filiados. Portugal é um deles. O objetivo da federação é tornar-se uma federação desportiva com estatuto de utilidade pública desportiva, esperando alcançar os 500 atletas federados e os cem clubes filiados até ao final do ano.

Seja a pares ou singulares, só podem ser dados, no máximo, três toques até enviar a bola para o outro lado. Os três toques têm de ser dados com partes diferentes do corpo. Se a receção é feita com o pé direito, o passe ou remate têm de ser feitos de pé esquerdo ou cabeça, por exemplo. Quando se joga a pares, quem recebe tem de passar a bola ao parceiro e não pode ser ele a finalizar. O húngaro Adam Blazsovics, que venceu o 1.º Campeonato do Mundo de Teqball e o romeno Barna Szecsi que venceu o segundo mundial são como Messi e Ronaldo no futebol.

Apesar de ter começado logo com carácter competitivo, o teqball tem sabido colher atenções pela via do lazer e até já é usado de forma terapêutica em casas de repouso e clínicas de fisioterapia. Há clube de futebol que têm mesas para os jogadores passarem o tempo e até treinarem o domínio de bola: "Já há muitos clubes que utilizam o teqball antes do treino, para aquecer. Equipas com grandes nomes como Benfica, Sporting, Vit. Guimarães e Sp. Braga já têm mesas. O Nacional, o Marítimo e o Estoril já têm equipas. Pensamos divulgar com ex-jogadores conhecidos e que já não são profissionais."

Sem género, sem idade, para todos! É o lema do teqball.

Regras principais

- Cada partida disputa-se à melhor de 3 sets
- Cada set é jogado até aos 20 pontos
- O serviço contempla duas tentativas
- O serviço troca a cada 4 pontos
- Não é permitido tocar a bola consecutivamente com a mesma parte do corpo
- A bola pode ser tocada por qualquer parte do corpo exceto os braços
- O máximo de toques antes de devolver a bola ao adversário é de 3
- Em doubles, é obrigatório ambos os jogadores tocarem na bola antes da devolução
- Não é permitido devolver a bola ao adversário consecutivamente com a mesma parte do corpo
- Não é permitido tocar na mesa ou nos adversários
- No caso de a bola bater nas quinas da mesa ou rede, é considerada uma edgeball e o ponto deve ser repetido

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG