Premium O discurso do medo contra-ataca

Foi apresentada nesta semana a nova arma ligeira do Exército português. À arma em si não vou referir-me. Não sou qualificada para isso e nunca peguei em arma alguma. Reconheço, no seguimento do processo de modernização em curso em Portugal, a necessidade óbvia e já antiga de inovar também aí. É adequado, em contexto de paz, apostar neste investimento? À partida, fará sempre sentido no espírito do velho provérbio "se queres a paz, prepara a guerra". Mas adequa-se também pela dignidade que traz ao nosso exército e a Portugal no concerto global das nações, pela excelência que é reconhecida às nossas forças armadas, no seu conjunto, em missões internacionais.

Não é novidade que a nossa civilização se encontra em mutação. A mudança no clima e o estado de "pré-colapso" do sistema ambiental para que o planeta se dirige são já indisfarçáveis. Mas não só. Como que em paralelo com a degradação da natureza, assistimos ao ressurgimento de "ismos" e fenómenos que já mais do que uma vez nos puseram coletivamente em perigo. Um deles é o regresso do discurso do medo e sua instrumentalização, até por responsáveis de cúpula. É impossível não perceber no discurso de alguns líderes o modo como instigam o medo à diferença, aquele medo cujo melhor símbolo será sempre o do muro que divide. É o caso de Donald Trump, que se elegeu democraticamente com a promessa de um muro nacionalista e que dificulta o gun-control num país particularmente afetado por tiroteios em escolas. Por cá, há também quem recorra ao preconceito no discurso político.

Ler mais

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG