Premium Casais que tentam adotar. "As pessoas não desistem, quando muito desistem por exaustão"

Candidatos à adoção dizem-se vítimas de critérios subjetivos e de falta de transparência. Esperaram, esperaram, até serem velhos para adotar.

"Não revelaram as capacidades necessárias para suprir as necessidades de uma criança." Sílvia mal percebeu estas últimas palavras, chorava compulsivamente. Acabara de ler a carta registada que dizia que ela e o marido eram "inaptos" para a adoção. Sentia toda a justificação como um atestado de incompetência para ser mãe, ela que tem dois filhos biológicos e a quem os outros pais confiam os filhos. Escreveram as técnicas: "Baixa capacidade de empatia, baixo autocontrole, muito autocentrada, grande exigência e rigidez, baixo suporte emocional, pouca capacidade de adaptação, estratégias educativas desadequadas com os filhos, existência de padrões conjugais instáveis (divórcio de ambos) ", etc.

"Desatei a chorar nos Correios. Pensei: 'O que é que eu fiz de mal a estas senhoras para dizerem coisas tão horríveis de mim?'", recorda Sílvia Saraiva, 55 anos, endocrinologista. Ela e o marido, Frederico Teixeira, 44 anos, ortopedista, candidataram-se à adoção há cinco anos". Recusaram-lhes a candidatura, recorreram e venceram. Voltaram à lista de adoção mas esbarraram na idade e em regras que dizem ser "subjetivas e pouco transparentes".

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Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.