Premium Michel Piccoli: um ator dramático com muito humor

Com a morte de Michel Piccoli, aos 94 anos, desaparece uma das figuras centrais da história do cinema europeu: mais de 200 filmes e uma paciente investigação da complexidade das relações humanas.

Terá sido há quase vinte anos, por altura do lançamento de Vou para Casa (2001), de Manoel de Oliveira. Graças à amabilidade do produtor do filme, Paulo Branco, tive o privilégio de conversar com Michel Piccoli num hotel de Lisboa. Digo "conversar" porque me parece insuficiente a noção de que estávamos a cumprir o ritual de uma entrevista. Em boa verdade, creio, até que, como entrevista, o resultado terá sido algo frustrante. Será egoísmo da minha parte, mas ficou a conversa, precisamente esse "outro" modo de comunicação que a nossa vertigem mediática passou a desvalorizar.

A agenda do dia era apertada. Piccoli tentava integrar todas as informações sobre o que iria acontecer naquela tarde e dava mostras de um misto de inquietação e ironia - como corresponder a tudo o que esperavam dele? O certo é que não se escusou a tecer algumas considerações breves, mas cristalinas, sobre o seu trabalho com Oliveira.

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