Premium Todas as árvores do Central Park numa torre que busca o Sol

Uma torre de 21 andares e 42 apartamentos de luxo que roda para que todas as casas tenham sol e vistas variadas está prestes a ser inaugurada em Taiwan. O projeto é do arquiteto belga Vincent Callebaut, que se especializou em projetar edifícios e cidades sustentáveis. A Torre Agora terá 23 mil árvores plantadas no piso térreo, na cobertura e nas varandas, para absorver 130 toneladas de dióxido de carbono por ano. Cada apartamento custa 27 milhões de euros e tem elevador para levar o carro até casa.

Há décadas que o arquiteto belga com ateliê em Paris se dedica a projetar as cidades verdes do futuro. Vincent Callebaut, que se intitula archibiotect - algo que se pode traduzir como arquibioteto -, empenha-se em aliar à arquitetura as biotecnologias para criar estruturas sustentáveis. O seu olhar utópico ganha agora forma numa torre impressionante, cuja obra está a terminar em Taipé, Taiwan. Trata-se da Tao Zhu Yin Yuan ou Agora Garden. Também lhe chamam jardim no céu porque tem quase tantas árvores como o Central Park.

A estrutura da torre de 21 andares foi inspirada na dupla hélice do ADN, "fonte de vida, dinamismo, símbolo de harmonia", descreve o arquiteto. De um corpo central circular fixo saem duas torres em hélice, cujo movimento de 4,5 graus em cada piso permite uma rotação total de 90 graus. Isto faz que todos os apartamentos apanhem sol, mudem as vistas, estejam resguardados dos olhares indiscretos e que os jardins suspensos sejam generosos. Com esta rotação, a torre vai apresentar-se em quatro configurações diferentes: o perfil em V, em X, elíptico e piramidal.

É no corpo central que se localizam as entradas dos apartamentos, que custam 27 milhões de euros. Têm sala de estar e de jantar, cozinha e vários quartos, todos com walking closet e WC. Existem dois apartamentos por piso e sete elevadores - dois para levar os carros para cada uma das casas e cinco para os residentes. A área total do complexo é de 43 mil metros quadrados e as penthouses podem chegar aos 550 metros quadrados, num espaço aberto.

"A torre apresenta um conceito pioneiro de ecoconstrução e pretende limitar a pegada ecológica dos seus habitantes", referiu Callebaut. O edifício tem painéis solares na cobertura e um sistema de reciclagem das águas da chuva. Além disso, no desenho de cada apartamento foi otimizado o uso da luz natural e a ventilação.

Para o arquiteto, autor de vários projetos ecológicos, mais do que uma moda, a ecoarquitetura é uma necessidade. "Em 2020 seremos nove biliões de humanos no planeta e 80% da população do mundo vai viver em megalópoles. É tempo de agir contra as alterações climáticas, de inventar novos estilos de vida ecorresponsáveis e de incorporar a natureza nas nossas cidades. Não é uma tendência, é uma necessidade", disse em entrevista à CNN.

"Taipé é para mim o Silicon Valley da nova Ásia. A torre 101 de Taipé era o símbolo do nosso século XX e espero que a Tao Zhu Yin Yuan seja para a cidade de Taipé no início do nosso século XXI o símbolo da nova ecologia, na simbiose perfeita entre a humanidade e a natureza», disse o arquiteto.

Além da Agora Garden, que deverá começar a receber os residentes em breve, Callebaut tem em obra um complexo de 240 apartamentos e zona comercial no Cairo, Egito (The Gate). O arquiteto belga é o autor de um estudo de oito protótipos de torres ecossustentáveis, para combater o aquecimento global, encomendado pela Câmara de Paris - o Paris Smart City 2050. A capital francesa tem como objetivo reduzir em 75% as emissões de gases com efeito de estufa.

Em desenho, Callebaut tem outras propostas espetaculares. Como o terminal flutuante de ferries de Seul em forma de jamanta (ganhou um concurso internacional), um ecoresort nas Filipinas ou a reabilitação da zona noroeste de Bruxelas, no bairro ecológico Tour & Taxis.

Mais recentemente, apresentou o conceito de oceanscrapper - um arranha-céus dos oceanos - construído em simbiose com a natureza aquática. Trata-se do Aequorea, uma cidade subaquática com 20 mil habitantes que utiliza na sua construção plástico do chamado "sétimo continente", a gigantesca ilha de lixo do planeta. Projetos para já "loucos" e visionários, que o arquiteto espera concretizar na próxima década.

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