De mal-amado a salvador do crescimento

Aquele que foi um setor mal-amado por tantos em Portugal pode ser, de novo, o que vai colocar o país a crescer. Trata-se do turismo. Muito protestaram quando estava em alta, mas a verdade é que dinamizou o imobiliário, a restauração e hotelaria, entre outros negócios, como nunca antes acontecera. Depois da crise pandémica e dos atuais impactos do conflito na Europa, crescer é o que o país precisa, e já!

Decorridos 82 dias de guerra, os players apercebem-se, cada vez mais, como é importante a nação estar geograficamente longe do epicentro da invasão, ainda que bem alinhada com a União Europeia e a NATO nas tomadas de posição conjuntas contra o ato de agressão russo. Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, disse, no último sábado, que Portugal "é um beneficiário líquido" da conjuntura na Europa. Dois dias depois, Bruxelas anunciou boas notícias quanto ao crescimento do produto interno bruto nacional, e mais disse: será, sobretudo, graças ao turismo.

Portugal está no mapa geoestratégico certo para capitalizar o sol, a praia, a cultura, a gastronomia e, acima de tudo, a segurança de que dispõe. Monetizar o turismo exige um plano acertado, de captação de turistas com poder de compra e interesse em experienciar o saber estar e a alma portuguesa, de modo que passem a aprender a palavra "saudade" e se tornem visitantes repetentes. Portugal não precisa de turismo só para sair da crise, só por um ano ou por uma década, mas para sempre. E tem de ser tratado, cuidado e dinamizado como um jogador da primeira liga, e não da terceira divisão, como aconteceu durante tantas décadas. Sem riqueza abundante de matérias-primas, o turismo é o nosso petróleo, ao qual se junta também o potencial em produção de energias renováveis, em terra e no mar.

O que dizem exatamente as boas notícias: os especialistas da Comissão Europeia perspetivam um crescimento de 5,8 % da economia portuguesa, depois de um arranque forte no início do ano. Turismo e setor dos serviços deverão "recuperar fortemente", com o regresso dos estrangeiros a Portugal. Ainda assim, em 2023 o crescimento europeu deverá desacelerar para cerca de metade, ficando pelos 2,7%. A partir daqui, o cenário torna-se mais cinzento, com os preços das importações de energia a pesarem no saldo da conta corrente. Ainda assim, Bruxelas admite que possa haver melhorias no próximo ano, considerando que os custos da energia caiam em certa medida. A inflação deve atingir "o pico" no 2.º trimestre deste ano, depois moderar-se-á "gradualmente para taxas médias anuais de 4,4% este ano e 1,9% no próximo". Calcula que as finanças continuem a melhorar nos próximos dois anos e, neste quadro, projeta "uma diminuição do défice para 1,9% do PIB em 2022 e para 1% em 2023". Uma lufada de ar fresco acabada de chegar da Europa, mas que exige trabalho e afinco para que seja confirmada e passe de previsão a realidade.

Diretora do Diário de Notícias

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