Um país a várias velocidades

O turismo vai continuar a puxão do travão de mão? O acordo com Espanha para manter a fronteira fechada mantém-se por mais 15 dias, anunciou o primeiro-ministro nesta semana. Dos dois lados da fronteira a pandemia tem tido uma evolução positiva, mas, ainda assim, a cancela fronteiriça vai permanecer encerrada. No que toca às viagens de avião vão continuar a vigorar restrições aos passageiros vindos do Reino Unido e do Brasil. Podem deslocar-se a Portugal apenas para viagens essenciais. No caso dos britânicos precisam de apresentar um teste negativo; já no caso do Brasil os viajantes não só terão de trazer consigo um teste negativo como se sujeitarão a um período de quarentena.

Os hoteleiros continuam preocupados com o forte impacto destas medidas no turismo. Regiões como a do Algarve dependem muito do público espanhol e britânico e temem graves consequências económicas no tecido empresarial local durante a primavera e o verão. Aliás, muitos dos hotéis, alojamentos locais e restaurantes poderão mesmo não voltar a abrir caso este seja um verão perdido. Nas novas regras para a terceira fase de desconfinamento, o Algarve não terá critérios especiais, mas "temos de cumprir e é preciso agir localmente em alguns casos", alertou o primeiro-ministro.

Sendo uma otimista, prefiro ver o copo meio cheio em vez de meio vazio. Estamos em meados de abril e até ao verão muita coisa poderá alterar-se. Se recuarmos ao mesmo período do ano passado, à primeira abertura os turistas apareceram.

"O aumento da liberdade tem de ser acompanhado do aumento de responsabilidade", disse António Costa, mas também terá de ser acompanhado de mais e mais testagem e de uma vacinação mais acelerada e transversal em termos etários, os dois calcanhares de Aquiles desta gestão pandémica e que foram apontados no parlamento durante a sessão de discussão e aprovação do último estado de emergência. O risco não vai desaparecer até haver erradicação da pandemia, mas pode ser melhor prevenido.

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