Um travão sempre à mão

António Costa, primeiro-ministro, tem o travão sempre à mão. A pressão da pandemia sobre o Serviço Nacional de Saúde está a diminuir, mas o número de infetados tem vindo a aumentar. As mortes têm vindo a descer, mas o R(t) (índice de transmissibilidade) tem registado um crescimento. A linha vermelha traçada pelo governo pode ser alcançada no prazo de duas a quatro semanas, apontam os especialistas, e todo o cuidado é pouco na gestão da covid-19.

Com mais um estado de emergência (já é o 15.º) aprovado pelo parlamento, hoje ninguém sabe realmente se este será o último. O Presidente da República e o executivo socialista estão alinhados nesse sentido, mas só a pandemia ditará as regras para as próximas semanas e meses. Na exposição dos motivos para mais um estado de emergência, o Presidente disse apenas que está "em linha com o faseamento do plano de desconfinamento, impondo-se acautelar os passos a dar no futuro próximo", entende-se haver razões para manter o estado de emergência por mais 15 dias, nos termos da última renovação. Recolhimento domiciliário e suspensão de algumas atividades estão definidos desde 15 de janeiro. Agora, o Presidente pediu aos portugueses mais um esforço para que não se volte atrás.

A abertura das escolas, sendo necessária, potenciou os contágios e impressionam os números de infetados entre as crianças dos 0 aos 9 anos e ainda entre os 40 e os 50 anos, ou seja, potenciais mães e pais desses miúdos em idade escolar. Na próxima segunda-feira abre portas o ensino secundário, as universidades, os espaços culturais e os centros comerciais. A preocupação aumenta a cada nova fase de desconfinamento, até porque o plano de vacinação se revelou mais lento do que o desejado e a testagem em massa está longe de fazer parte dos nossos dias - apesar de a ministra da Saúde, Marta Temido, garantir o contrário e que Portugal está entre os melhores países europeus nesse ranking.

Equilibrar os pratos da balança entre a saúde e a economia é o grande desafio de 2021. Desta vez, após a reunião de mais um Conselho de Ministros, o governo anunciou (ontem) que 13 concelhos estão no limite da zona de risco, sete concelhos não passam à próxima fase de desconfinamento e outros quatro voltam mesmo às regras da fase anterior (Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior). É caso para dizer que o primeiro-ministro puxou o travão de mão - como já tinha admitido fazer -, mas apenas para as situações que continuam com 240 casos de covid por cada 100 mil habitantes.

Em maio se saberá como será a próxima etapa de desconfinamento. No dia 3 do mês que vem novas aberturas estão previstas, mas os médicos e os especialistas voltam a pedir prudência máxima. Até porque quando se puxa muito o travão de mão acaba por se incorrer no risco de fazer um pião e de perder o controlo do veículo.

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