Sem favoritos nem diversidade. Último debate democrata antes das primárias

Dois desistiram e outros seis ficam fora do debate. Joe Biden, Bernie Sanders e Elizabeth Warren lideram as sondagens, mas ninguém pode considerar-se favorito.

Com o anúncio dos seis candidatos democratas escolhidos para o sétimo debate televisivo, a malha apertou e mais dois candidatos à nomeação desistiram: Marianne Williamson, uma figura que se tornou conhecida pelos seus conselhos de espiritualidade e não pela política, que seguia em último lugar na média das sondagens da Real Clear Politics, com 0,3%; e o senador Cory Booker, que levava 1,8% de intenções de voto. Booker, o último candidato afro-americano, anunciou a saída de cena na segunda-feira.

"A nossa campanha chegou ao ponto em que precisamos de mais dinheiro para continuar a construir uma campanha vitoriosa - dinheiro que não temos, e dinheiro que é mais difícil de angariar porque não estarei no próximo palco de debate", lamentou Booker.

Mas na mensagem partilhada no Twitter Booker apelou à unidade entre os democratas e entre os norte-americanos, depois de no sábado ter criticado as regras criadas pelo Comité Nacional Democrata, o órgão oficial do Partido Democrata.

Para o debate que se realiza na Universidade Drake, em Des Moines, Iowa, os candidatos tiveram de ultrapassar duas barreiras: ter um mínimo de 5% de intenções de voto em pelo menos quatro sondagens nacionais ou pelo menos 7% em duas sondagens nas primeiras primárias e receber doações de 225 mil cidadãos de 20 estados.

"De todas as pessoas que se qualificaram para a próxima etapa do debate democrático, nem uma é de cor. Para um partido tão diverso como o nosso, numa eleição em que as comunidades de cor decidem o resultado, isso é errado. Não duvido de que as regras que o nosso partido estabeleceu foram bem-intencionadas, mas os resultados são inegáveis: estes limiares têm mantido as pessoas de cor longe do palco nacional."

E acrescentou: "Entretanto, os bilionários nesta corrida conseguiram gastar literalmente centenas de milhões em anúncios. Isto não deve ser sobre quem tem mais dinheiro."

A mensagem dirigia-se a Tom Steyer, o milionário e ativista na luta contra as alterações climáticas, que inundou as televisões da Carolina do Sul e do Nevada com publicidade, tendo gasto já 120 milhões de dólares nesse campo. Para já, o investimento permitiu-lhe ser o sexto elemento a chegar ao debate, com 12% no Nevada e 15% na Carolina do Sul, em sondagens da Fox News.

"Estas sondagens não me surpreendem. Temos visto uma reação muito positiva e uma verdadeira dinâmica", comentou Steyer.

Mil milhões para derrotar Trump

Há ainda um candidato democrata que já investiu mais em anúncios: Michael Bloomberg. O antigo mayor de Nova Iorque e dono da empresa com o seu nome já investiu mais de 200 milhões de dólares na TV, apostando todas as fichas na chamada superterça-feira, que decorre no dia 3 de março, quando os eleitores democratas de 14 estados vão a votos. No entanto, como não aceita doações, Bloomberg não pode ir a debate. "Eu não vou mudar os meus princípios. Sinto-me muito forte. Tenho os meios para conduzir uma campanha sem ter conflitos, por isso não vamos aceitar dinheiro de mais ninguém", disse em dezembro.

Bloomberg, que entrou tardiamente na corrida presidencial, afirmou ao The New York Times que mesmo que fique pelo caminho está disposto a ajudar o candidato democrata até mil milhões de dólares. "Sabe quanto é mil milhões de dólares? É muito dinheiro para mim. É muito dinheiro para qualquer pessoa", disse. A sua fortuna está avaliada em 52 mil milhões de dólares.

O bilionário, que disputa o centro com Joe Biden, indicou inclusivamente que estará com Bernie Sanders ou Elizabeth Warren, candidatos mais à esquerda. "Não concordo em nada com eles. Mas iria apoiá-los, sim, porque é fácil fazê-lo em comparação com Trump."

De fora ficou Andrew Yang, que deu os parabéns a Steyer por ser selecionado para o debate. "Somos amigos e ambos queremos o melhor para o nosso país, por isso fico contente por ele", disse Yang à ABC News. Os apoiantes do candidato filho de pais taiwaneses prometem fazer do dia do debate o dia de visibilidade de Yang, com ações nas ruas de várias cidades.

No anterior debate participaram sete candidatos num total de 15, tendo Julian Castro desistido no início do ano, antes de Marianne Williamson e Cory Booker. Como antes já denunciara outra desistente, Kamala Harris, Castro também criticou o modelo de seleção dos candidatos para os debates televisivos, tendo afirmado que as minorias se debatem com maiores dificuldades. "A fórmula dos media sobre a elegibilidade dos candidatos deixa de lado as mulheres e os candidatos de cor", criticou Castro, cuja família é de origem mexicana.

Sem vencedor antecipado

Longe do primeiro debate, que decorreu em dois dias no final de junho, com um total de 20 candidatos, os seis selecionados terão oportunidade para expor ideias e atacar os seus concorrentes ou o presidente norte-americano e concorrente às eleições de 3 de novembro no campo republicano, Donald Trump. Além da falta de diversidade denunciada por Cory Booker, há outra ideia que ressalta do grupo: o de não haver um claro favorito à nomeação. É certo que Joe Biden segue na frente a nível nacional. Na mais recente sondagem The Economist/YouGov, publicada no dia 8, o antigo vice-presidente de Barack Obama leva cinco pontos de avanço sobre a senadora Elizabeth Warren e sete sobre Bernie Sanders. Já a média de sondagens feita pela Real Clear Politics dá 29,3% a Biden, 20,3% a Sanders e apenas 14,8% a Warren.

Já no que respeita à primeira eleição, a decorrer no conservador estado do Iowa no dia 3 de fevereiro, a mais recente sondagem atribui a vitória a Biden, mas na anterior, do Des Moines Register/CNN, aparecia em quarto classificado e numa terceira empatado com Sanders e Pete Buttigieg.

Muito está ainda por decidir. Segundo a responsável pela sondagem publicada pelo Des Moines Register, 45% dos inquiridos admitem mudar de opinião e apenas 13% revelam já não mudar de ideias, disse à NPR.

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