Ilustração com o símbolo da maior rede social, o Facebook, sobre vidro partido e a bandeira da UE.
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Investigate Europe

A campanha de fake news que está a abalar a Europa

Políticos extremistas, inteligência artificial, fake news. A mistura está a deixar governantes indecisos e a manter sob pressão a Google e o Facebook. Nesta investigação revelamos como o pacto das migrações da ONU foi usado como pretexto para uma campanha de propaganda extremista, de Portugal à Nova Zelândia.

As ruas da Medina de Marraquexe, em Marrocos, são proverbialmente difíceis de decifrar. Mesmo com GPS, um turista acaba, facilmente, por desistir e pagar a um dos guias locais que ganham a vida como navegadores no labirinto. Mas no dia 10 de dezembro, enquanto centenas de líderes mundiais, como António Costa, se reuniam em Marraquexe, para assinar um "Pacto mundial para as migrações seguras, ordenadas e regulares", da Organização das Nações Unidas (ONU), era noutra topografia, ainda mais indecifrável, que uma campanha sem precedentes estava montada.

As redes sociais são as novas ruas, em certo sentido. É ali que passamos boa parte do nosso tempo, a conversar, a informarmo-nos, a conviver. O emaranhado dos algoritmos que gerem esses sites (Facebook, Twitter, YouTube, Instagram, entre outros) é um segredo comercial bem guardado. Mas há guias, como na medina. Neste caso do pacto da ONU havia pelo menos 533 destes solícitos "navegadores", poliglotas, no Twitter.

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