Premium O barulho e as igrejas

Num esforço para sensibilizar os poderes municipais para a necessidade de garantir esse novo direito constitucional que é o direito a ter umas horas de sono em cada noite, um grupo de cidadãos do Mindelo criou um Movimento contra o Barulho nas Horas de Repouso.

Como era de esperar, os promotores do movimento foram muito felicitados e, para além de um apoio explícito do próprio presidente da República, também tiveram direito a um parecer escrito da Comissão Nacional para os Direitos Humanos que, em cinco páginas dactilografadas a um espaço e aprovadas em plenário, não hesitou em manifestar solidariedade para com os torturados por esses desacatos, terminando com uma forte exortação à Câmara de São Vicente no sentido de exercer as suas atribuições quanto a matéria tão importante e de tanta utilidade social.

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Ferreira Fernandes

"Corta!", dizem os Diáconos Remédios da vida

É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).

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Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?