Premium Mariana e Carolina vão a Lisboa: a aventura das gémeas brasileiras no país das "baleias"

As gémeas conheceram a cidade do pai pela primeira vez. Encantaram-se com palavras novas, castelos e coches de verdadeiras princesas. Não gostaram das beatas, nem do nevoeiro.

"Eu sei: é baleia!", responde, confiante, Carolina, à pergunta do pai, antecipando-se a Mariana, a irmã gémea 20 segundos mais velha. Mas perante o riso do inquiridor, a confiança esfuma-se e logo se transforma numa expressão de inquietação por sentir ter, afinal, errado. A pergunta tinha sido "alguém sabe como se diz "carona" em português de Portugal?".

Como sempre, as diferenças entre portugueses e brasileiros começam por notar-se naquilo que supostamente mais os une, a língua. E ao longo de uma visita de dez dias a Lisboa, a cidade onde o pai delas nasceu e a mãe, natural do Brasil, morou por onze anos, o encantamento das duas crianças nascidas há sete anos no "novo mundo" começou, inevitavelmente, pelas palavras. ""Giro" é a palavra mais "legal"", diz uma. A outra inverte: "O mais "legal" é a palavra "giro"." Mas nesta espécie de viagem de Pedro Álvares Cabral ao contrário, Mariana e Carolina hão de encantar-se com muito mais do que jogos de palavras.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.