Ambiente sem etiqueta ideológica

Acrescente preocupação com o ambiente a que hoje assistimos é muitas vezes acompanhada por uma tentativa de apropriação ideológica. A proteção e o cuidado pelo ambiente, a justiça climática e a solidariedade social são apresentados como prioridades de uns partidos e inimigos de outros. Uns são potenciais salvadores, outros são os derradeiros causadores. Esta visão da realidade, para além de errada, é limitadora de uma consequente discussão e ação a favor do ambiente e da sustentabilidade. Porque as potenciais soluções para enfrentar a crise ambiental encontram-se também na visão social-democrata.

Desde os seus primórdios que o PSD tem escolhido como prioridade a questão do ambiente, da sustentabilidade e da justiça intergeracional. Foi durante os seus governos que se criaram as primeiras pastas dedicadas ao Ambiente depois do 25 de Abril, e que Portugal surpreendeu a Europa ao ser pioneiro na aprovação da Lei de Bases do Ambiente. Também o último governo do PSD, entre 2011 e 2015, contribuiu de forma muito significativa para a redução da pegada ambiental portuguesa, ao aprovar o Compromisso para o Crescimento Verde.

No legado do PSD encontramos uma enorme fonte de experiência e orientação para os tempos presentes, onde, apesar de os desafios e as circunstâncias serem outros, assim como a sua dimensão e urgência, nos são pedidas inovadoras soluções. Para isso, podemos e devemos recorrer aos princípios condutores sobre os quais se fundou a atuação e a visão do PSD em matéria de ambiente e sustentabilidade: desenvolvimento, colaboração, liberdade e dignidade da pessoa humana.

Apenas através de um aumento do desenvolvimento económico e social poderemos lutar por uma sociedade ambientalmente sustentável. Os efeitos benéficos do desenvolvimento económico dos séculos XX e XXI são inquestionáveis e devem ser mantidos. De nada vale uma sociedade altamente preocupada com a redução da sua pegada ecológica se a solução passar por retroceder na qualidade de vida das pessoas. Para grandes desafios são necessárias grandes soluções. E essas resultarão inevitavelmente da colaboração entre instituições, privadas e públicas, da colaboração entre pessoas, dos diversos campos de conhecimento. Esta interação, aliada à liberdade do génio humano, será sempre mais criativa do que qualquer solução central.

Por fim, o centro de todos estes princípios será sempre a pessoa humana e a sua dignidade. Esta conceção implica uma certa visão antropológica, que coloca o homem e a mulher no centro da natureza. Fazendo parte dela, e estando-lhe por isso intimamente ligados, são seres excecionais, não podendo ser equiparados às outras espécies nem podendo ser desligados dela. São estes os princípios que orientam a visão social-democrata sobre o ambiente. É por aqui o caminho que, hoje, devemos percorrer.

Presidente da JSD

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