Todos os olhos postos no Reino Unido. Vacinação começa nesta terça

A vacinação anticovid começa nesta terça-feira no Reino Unido. A Europa e os EUA estão atentos à forma como os britânicos organizam uma das maiores e mais complexas operações de saúde de sempre.

Os lotes da vacina contra a covid-19 já começaram a chegar aos hospitais no Reino Unido para a partir desta terça-feira serem administradas aos cidadãos considerados prioritários: residentes e funcionários de lares de idosos, cuidadores e pessoas com mais de 80 anos.

Esta será a maior e mais complexa campanha de vacinação da história do país, como indicou o diretor do NHS (Serviço Nacional de Saúde britânico).

Foram criados hubs de vacinas em 50 hospitais ingleses e serão, posteriormente, organizados mil centros de vacinação por todo o território (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte).

O Reino Unido é o primeiro país ocidental a licenciar a vacina, da Pfizer/BioNTech, que tem revelado 95% de eficácia nos testes, numa altura em que continuam a bater-se recordes de novos casos. Neste domingo o Reino Unido registou 17 272 novos casos e 231 mortes reportadas, num total de 61 245 óbitos.

Com o Brexit e a saída da União Europeia, o Reino Unido não depende de Bruxelas para colocar em prática o seu plano de vacinação. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) só no dia 29 de dezembro "o mais tardar" dará (ou não) luz verde à comercialização da vacina contra o covid-19 da Pfizer-BioNTech.

A vacina da Pfizer/BiotNTech, a comprada pelo governo britânico, requer uma complexa operação logística uma vez que tem de ser armazenada em embalagens ultracongeladas a -70 graus Celsius. A agravar a complexidade, cada embalagem contém 975 doses, o que vai dificultar a divisão em pequenos lotes para serem levados aos lares de idosos - designados como prioritários na vacinação.

A diretora executiva da Autoridade Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), June Raine, autorizou, na semana passada um método de dividir as embalagens, mas que tinha de ser feito com muito cuidado para que nenhuma vacina fosse desperdiçada.

O Reino Unido, que conta com uma população de quase 68 milhões, comprou 40 milhões de doses da vacina da Pfizer, o suficiente para vacinar 20 milhões de pessoas, contudo a grande parte só chegará em 2021.

Até final de dezembro chegarão quatro milhões de doses. O responsável pelo NHS, Stephen Powis, em declarações à Sky News, fez saber que serão necessários "muitos meses para vacinar todos aqueles que precisam de vacinas".

Em janeiro no resto da Europa

Os países da União Europeia - Portugal incluído - deverão começar a receber as vacinas logo após a aprovação pela Agência Europeia de Medicamentos, ou seja, no início do ano. A vacina já está a ser produzida na Alemanha e na Bélgica (onde a Pfizer tem laboratórios) de onde sairão em simultâneo para os vários países da UE num processo que pode levar dias.

Para já a União Europeia encomendou vacinas a cinco empresas: Moderna, AstraZeneca, Johnson & Johnson, Sanofi-GSK e CureVac - uma das que Portugal vai receber. As que estão a ser desenvolvidas pela Rússia e pela China não estão incluídas, já que não seguem o processo de autorização da EMA.

Após a receção da vacina, centralizada por Bruxelas, cada país irá organizar a forma de distribuição.

Em França, por exemplo, a campanha de vacinação contra a covid-19 irá acontecer em três fases. Na primeira fase será ministrada nos residentes de lares de terceira idade "no início de janeiro de 2021 quando deveremos ter as primeiras vacinas autorizadas, se tudo correr bem, em número ainda limitado de doses", disse o ministro francês da Saúde, Olivier Véran. Esta fase irá abranger também "os profissionais de saúde em risco que atuam nestes estabelecimentos". No total, um milhão de pessoas.

A Rússia, que já a 11 de agosto tinha registado a sua vacina, a Sputnik V, a primeira no mundo, é um dos países mais avançados em matéria de vacinação. No sábado começaram a ser vacinados professores, pessoal médico e assistentes sociais em 70 centros em Moscovo.

A vacina russa, que está na sua terceira, e última, fase de testes clínicos em 40 mil voluntários, foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa de Gamaleya, em Moscovo, e está a ser produzida desde 15 de agosto.

As autoridades russas já informaram que mais de mil milhões de pessoas vão receber a sua vacina contra a covid-19 até ao próximo ano. Aliás, nesta sexta-feira foi mesmo acordada a venda de 50 milhões de doses ao estado brasileiro da Bahia, enquanto com o México foi celebrado um acordo para 32 milhões de doses da vacina.

A Rússia propõe-se ainda produzir no estrangeiro 200 milhões de doses antes do final do ano, projetando superar os 500 milhões em 2021.

E nos EUA?

Nos EUA a entrega das vacinas pelo território está a ser testada, em termos logísticos, desde meados de novembro. A Pfizer iniciou um projeto-piloto em vários estados norte-americanos: Rhode Island, Texas, Novo México e Tennessee. Os estados foram escolhidos pelos diferentes tamanhos e geografias, infraestruturas e diversidade de população, quer em cidades quer em zonas rurais.

A vacina, a mesma usada no Reino Unido, está nos planos do ainda presidente Donald Trump para ser ministrada a partir de meados de janeiro, de acordo com o The New York Times, e nessa altura prevê-se que chegue a 24 milhões dos 331 milhões de habitantes nos EUA.

Contudo, só a 10 de dezembro a FDA, o organismo que regula a vacina nos EUA, irá reunir-se para aprovar a vacinação em território norte-americano.

259 projetos de vacina em todo o mundo

De acordo com o site da London School of Hygien& Tropical Medicine, que atualiza o progresso das experiências que estão a ser levadas a cabo em termos de vacinas contra a covid-19, sabe-se que há 259 projetos em investigação no mundo inteiro, que 54 estão já na fase de ensaios clínicos e dez estão na fase III dos ensaios, a última fase, aquela que "consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de se determinar se impede de facto a infeção", lê-se na página do site.

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