Premium Aposentações: escolas vão perder 11 mil professores em cinco anos

Desde 2014, reformaram-se cerca de 4500 professores, já contando com os 669 que se aposentaram neste ano, ao passo que nos próximos cinco anos esse número vai disparar para mais do dobro. OCDE e representantes da classe apontam riscos.

O número de professores a passar à reforma vai disparar nos próximos anos. Em 2018, não chegam a 700 (669) os professores e educadores de infância que se aposentaram, em linha com o que se passou nos últimos anos e depois de uma corrida às reformas antecipadas no período da troika. Mas em 2019 as aposentações vão bater já nas mil, até chegarem às 3500 daqui a cinco anos, segundo as projeções do Ministério da Educação. Traduzindo: até 2023 vão reformar-se cerca de 11 mil professores (10% do universo atual, que ronda os cem mil), um enorme desafio para o ensino público, que pode perder boa parte dos professores mais experientes na próxima década e que não tem candidatos suficientes a sair das faculdades, alerta a classe.

Os números podem colocar um problema ou ser uma oportunidade, como reconhece a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico num estudo publicado nesta semana. Desde 2014, reformaram-se cerca de 4500 professores, já contando com os que se aposentaram neste ano, ao passo que nos próximos cinco anos esse número vai passar para mais do dobro, números recordados agora por Arlindo Ferreira no seu blogue, Arlindovsky. As razões são óbvias, ao analisar o Perfil do Docente em 2016-17, publicado recentemente: existem cerca de 50 mil professores no Estado com mais de 50 anos, o que equivale, grosso modo, a metade de todos os professores do 1.º ciclo ao secundário - e sem contar sequer com os seis mil educadores de infância nesta faixa etária. Para se ter a noção do fosso geracional na classe, o país tem 16 mil professores no ensino público entre os 30 e os 39 anos e não chega sequer aos 500 com menos de 30 anos.

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