Prio perde abastecimento de gasolineiras do Pingo Doce para a BP

Grupo Jerónimo Martins justifica mudança com o alargamento da rede de bombas na parceria entre o Pingo Doce e a BP, com o cartão Poupa Mais

A rede de postos de abastecimento Prio/Pingo Doce está a passar por um processo de migração e a transformar-se em BP/Pingo Doce, até à data já com alterações em oito bombas, disse ao DN/Dinheiro Vivo fonte do setor conhecedora do processo. Questionado sobre a mudança, o Grupo Jerónimo Martins justificou que, "em virtude do enorme êxito da parceria entre o Pingo Doce e a BP, no âmbito do cartão Poupa Mais, estamos a alargar alguns postos de abastecimento a esta parceria. Esta decisão de negócio, tal como todas as que tomamos, tem por base um melhor serviço aos nossos clientes".

"Com este alargamento, os nossos clientes poderão usufruir dos descontos em combustível dados pelo cartão Poupa Mais numa rede mais ampla", disse ao DN/Dinheiro Vivo fonte oficial da Jerónimo Martins. Também contactadas, a Prio e a BP não quiseram prestar declarações e remeteram qualquer esclarecimento para a dona do Pingo Doce.

De acordo com o mais recente relatório da Autoridade da Concorrência - "Análise ao setor dos combustíveis líquidos rodoviários em Portugal continental" -, o Grupo Jerónimo Martins, "detentor dos postos de abastecimento com as insígnias Pingo Doce e Recheio, aprovisiona-se exclusivamente junto da Prio". Significa isto que nas 38 lojas Pingo Doce e nas cinco lojas Recheio que, além das compras de supermercado, permitem aos clientes abastecer os seus veículos, os combustíveis vendidos eram até agora 100% fornecidos pela Prio.

Com o processo de migração em curso, a Jerónimo Martins passará assim a vender também combustíveis da BP e não apenas da Prio nos seus postos de abastecimento próprios. O que é diferente da parceria de descontos cruzados Poupa Mais, que, na prática, permite a quem faz compras no Pingo Doce obter talões de desconto para usar numa rede de bombas BP selecionadas (e vice-versa). Rede esta que, de acordo com as informações prestadas pelo Grupo Jerónimo Martins, vai agora ser aumentada, no âmbito da parceria. Em Portugal, a BP conta com cerca de 500 postos de abastecimento de combustível.

Em 2018, as vendas totais do Pingo Doce (incluindo valores de vendas de loja e combustível) cresceram 4,6%, para 3,8 mil milhões de euros.

Quanto ao fornecimento de combustíveis BP aos seus postos próprios, a Jerónimo Martins não se pronunciou. No seu site, o Pingo Doce dá conta de 38 lojas com posto de combustível, sobretudo no centro e norte do país, enquanto o Recheio está associado à marca Prio em cinco supermercados cash & carry. De acordo com o localizador online de postos de abastecimento Prio, dos 233 listados, apenas 26 (e não 38) estão identificados como Prio/Pingo Doce e cinco são Recheio/Prio (Braga, Tavira, Torres Vedras, Trofa, Vila Real).

Em 2018, as vendas totais do Pingo Doce (incluindo valores de vendas de loja e combustível) cresceram 4,6%, para 3,8 mil milhões de euros (22,1% do total do grupo). Também no ano passado, o Grupo Jerónimo Martins deu conta da "abertura de dez novas lojas, oito das quais sob o conceito de conveniência Pingo Doce&Go", as quais se localizam em bombas da BP.

"Em Portugal, o Grupo Jerónimo Martins ocupa uma posição de liderança na distribuição alimentar, tendo, em 2018, atingido uma faturação agregada de 4,8 mil milhões de euros. Opera com as insígnias Pingo Doce (432 supermercados, incluindo 12 Pingo Doce & Go) e Recheio (38 cash & carry e quatro plataformas, das quais três dedicadas ao food service), que lideram os segmentos de Supermercados e Cash & Carry, respetivamente", refere o relatório e contas de 2018, acrescentando ainda que o grupo "como complemento ao negócio de retalho alimentar, tem investido em postos de abastecimento de combustível".

"Uma nova tendência tem sido o crescimento nos postos de combustível de lojas de conveniência, já que beneficiam de isenção na inibição dos encerramentos ao domingo", saliente ainda o relatório e contas.

De acordo com a Autoridade da Concorrência, "os postos de abastecimento dos supermercados recorrem exclusivamente aos mercados grossistas de combustíveis rodoviários, comprando essencialmente às empresas petrolíferas e, em menor escala, a operadores independentes com capacidade de armazenamento própria (por exemplo, Prio)".

Apesar de serem retalhistas independentes, diz a AdC, as cadeias de supermercados apresentam algumas características distintas dos restantes retalhistas independentes de combustíveis na medida em que: são detidos por grandes grupos de retalho alimentar com postos de abastecimento normalmente localizados nas imediações das suas superfícies comerciais; a venda de retalho de combustíveis é normalmente um negócio secundário de forma a atrair os clientes às superfícies comerciais; em geral, o volume de vendas por posto permite-lhes obter economias de escala ao nível da gestão do posto e vender a preços mais baixos; e estão normalmente junto a grandes aglomerados populacionais".

De um total de 3081 postos de abastecimento de combustível em Portugal, em 2017 os operadores independentes já contavam com a sua insígnia em 953 postos de combustíveis (31%) e as cadeias de supermercados contavam com 261 postos (8%).

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