Escalada dupla: pandemia e desemprego

Portugal registou o número mais baixo de mortes desde 28 de outubro. Dados conhecidos ontem que fazem crescer a esperança de um tempo novo. Ainda assim, a DGS alertou para a possibilidade de mais uma escalada da pandemia. A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que Portugal pode voltar a enfrentar uma nova vaga de covid-19 nos próximos meses, mesmo com a campanha de vacinação em curso, e levantou dúvidas quanto à duração da imunidade e as mutações do vírus.

Um ano depois do início da pandemia, admitiu que "uma nova escalada do vírus está em cima da mesa, mesmo com vacina". É caso para dizer que a guerra está longe de acabar e que o confinamento que vivemos hoje ajuda apenas a ganhar mais uma batalha: o desanuviar do Serviço Nacional de Saúde.

No próximo dia 11 será conhecido o plano de desconfiamento, assim anunciou o primeiro-ministro, António Costa. Após este alerta sobre uma nova vaga, as cautelas terão de ser muitas para que o país não retroceda, outra vez, em termos sanitários.

As palavras de Graça Freitas parecem desvendar a missão de preparar o terreno para uma abertura suave. Os agentes económicos e as instituições da educação pouco apreciarão uma abertura com pezinhos de lã, mas tudo indica que a decisão será nesse sentido.

Neste entretanto, o número de desempregados vai escalando. Em janeiro, a taxa de desemprego aumentou para 8,1% na zona euro e 7,3% na União Europeia, em comparação com janeiro de 2020, segundo o Eurostat. Em Portugal, o retrato é igualmente preocupante. Só no primeiro mês do ano desapareceram 79 mil postos de trabalho. Trata-se da segunda maior queda mensal da série do Instituto Nacional de Estatística, que recua a 1998, apenas superada pelos valores de maio do ano passado, quando se verificou a destruição de mais de 96 mil empregos face a abril.

Neste ano vamos continuar a ter de envergar o colete antibala, que nos proteja dos ataques externos - e são muitos - e do desânimo interno que não podemos deixar que se instale nas nossas vidas e nas nossas empresas.

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