Premium Um futuro minguante

Nos últimos 30 anos mudámos a perceção sobre o futuro. A globalização, aberta pela implosão pacífica do império soviético, mobilizada pelo eclipse generalizado das ideias socialistas, incluindo no campo da social-democracia europeia (Blair e Schröder, por exemplo, enfraqueceram mais os direitos laborais do que os tories ou a CDU/CSU), e por uma vaga autoconfiante de neoliberalismo, provocou um triplo efeito: a) redução dos níveis globais de pobreza extrema, b) formação de "classes médias" nos países emergentes (sendo o caso da China o mais significativo); c) diminuição continuada e sistemática dos rendimentos do trabalho face aos rendimentos do capital no PIB dos países ocidentais.

Muito embora se tenham registado algumas melhorias no desempenho ambiental da indústria (diminuição da energia e das matérias-primas consumidas por unidade de riqueza produzida), a verdade é que o aumento do volume de produção anulou os benefícios ambientais líquidos. A economia mundial continua a seguir um modelo essencialmente extrativista, poluente, que coloca em causa a biodiversidade e o equilíbrio climático. A riqueza cresce, mas com um perfil generalizado de desigualdade crescente na sua distribuição. Se o facto de o índice de Gini para a desigualdade ser praticamente idêntico nos EUA e na Rússia não causa excessiva admiração, já o processo de maior desigualdade em muitos países da União Europeia é motivo de preocupação.

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Leonídio Paulo Ferreira

Nuclear: quem tem, quem deixou de ter e quem quer

Guerrilha comunista na Grécia, bloqueio soviético de Berlim Ocidental ou Guerra da Coreia são alguns dos acontecimentos possíveis para datar o início da Guerra Fria, que alguns até fazem remontar à partilha da Europa em esferas de influência por Churchill e Estaline ainda o nazismo não tinha sido derrotado. Mas talvez 29 de agosto de 1949, faz agora 70 anos, seja a melhor opção, afinal nesse dia a União Soviética fez explodir a sua primeira bomba atómica e o monopólio da arma pelos Estados Unidos desapareceu. Sim, foi o teste em Semipalatinsk que estabeleceu o tal equilíbrio do terror, primeiro atómico e depois nuclear, que obrigou as duas superpotências a desistirem de uma Guerra Quente.