Premium Um futuro minguante

Nos últimos 30 anos mudámos a perceção sobre o futuro. A globalização, aberta pela implosão pacífica do império soviético, mobilizada pelo eclipse generalizado das ideias socialistas, incluindo no campo da social-democracia europeia (Blair e Schröder, por exemplo, enfraqueceram mais os direitos laborais do que os tories ou a CDU/CSU), e por uma vaga autoconfiante de neoliberalismo, provocou um triplo efeito: a) redução dos níveis globais de pobreza extrema, b) formação de "classes médias" nos países emergentes (sendo o caso da China o mais significativo); c) diminuição continuada e sistemática dos rendimentos do trabalho face aos rendimentos do capital no PIB dos países ocidentais.

Muito embora se tenham registado algumas melhorias no desempenho ambiental da indústria (diminuição da energia e das matérias-primas consumidas por unidade de riqueza produzida), a verdade é que o aumento do volume de produção anulou os benefícios ambientais líquidos. A economia mundial continua a seguir um modelo essencialmente extrativista, poluente, que coloca em causa a biodiversidade e o equilíbrio climático. A riqueza cresce, mas com um perfil generalizado de desigualdade crescente na sua distribuição. Se o facto de o índice de Gini para a desigualdade ser praticamente idêntico nos EUA e na Rússia não causa excessiva admiração, já o processo de maior desigualdade em muitos países da União Europeia é motivo de preocupação.

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Opinião

Os aspirantes a populistas

O medo do populismo é tão grande que, hoje em dia, qualquer frase, ato ou omissão rapidamente são associados a este bicho-papão. E é, de facto, um bicho-papão, mas nem tudo ou todos aqueles a quem chamamos de populistas o são de facto. Pelo menos, na verdadeira aceção da palavra. Na semana em que celebramos 45 anos de democracia em Portugal, talvez seja importante separarmos o trigo do joio. E percebermos que há políticos com quem podemos concordar mais ou menos e outros que não passam de reles cópias dos principais populistas mundiais, que, num fenómeno de mimetismo - e de muito oportunismo -, procuram ocupar um espaço que acreditam estar vago entre o eleitorado português.