Premium Deputados voltam de férias. Ferrovia, aeroportos e demografia na agenda

Na terça-feira é a audição ao presidente da CP, que promete aquecer já o debate parlamentar. Comissão Permanente será outro palco para essa discussão.

Ferrovia, aeroportos e demografia são já alguns dos aperitivos para as próximas semanas de debates parlamentares, agora que os deputados regressam ao trabalho. Na segunda-feira, o regresso faz-se ainda em contacto com o eleitorado, mas na terça-feira à tarde já há promessa de um debate aceso entre as diferentes bancadas, com a audição do presidente da CP, Carlos Gomes Nogueira.

A situação da CP tem sido uma bandeira do CDS, que durante as últimas semanas promoveu várias iniciativas sobre o estado dos serviços prestados pela empresa, mas foi o PSD que pediu a presença na Assembleia da República, já há quase dois meses, de Gomes Nogueira, para discutir "a degradação do material e do serviço prestado por aquela empresa".

Sociais-democratas e centristas querem melhor atingir o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, com esta audição ao presidente da CP na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas. Aliás, o grupo parlamentar do CDS vai insistir na reunião da Comissão Permanente, que tem lugar na quinta-feira, para que Pedro Marques seja ouvido no Parlamento, como apontou fonte parlamentar centrista.

O PSD não deixará cair nos próximos dias os temas que marcaram a atualidade neste verão, como os incêndios, a saúde e as falhas na ferrovia, confirmou ao DN fonte da direção do grupo parlamentar.

À esquerda do PS, bloquistas, comunistas e ecologistas têm criticado a falta de investimento na CP, mas também têm criticado o "cinismo" dos centristas, por BE, PCP e PEV responsabilizarem o governo anterior do PSD-CDS pelo estado em que se encontra a ferrovia.

Já o PCP vai também alargar o debate sobre transportes à situação dos aeroportos nacionais. Segundo adiantou o líder parlamentar comunista, João Oliveira, ao DN, a sua bancada vai propor um debate sobre a "solução para a grave situação nos aeroportos nacionais, com destaque para o aeroporto de Lisboa".

O BE também está preocupado com o que se passa na aviação, no campo laboral, concretizando a audição do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, também na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, por causa dos conflitos laborais na Ryanair. O requerimento bloquista, que pediu "audições com carácter de urgência", deu entrada em 2 de abril.

O CDS não se fica pelos transportes e vai recuperar um tema caro à direção de Assunção Cristas, avançando com o agendamento potestativo para dia 27 sobre demografia.

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, é a primeira governante a ser chamada ao Parlamento, depois da pausa para férias. Sem sobressaltos na agenda, a Comissão de Agricultura e Mar vai debater "a política geral do ministério e outros assuntos de atualidade".

Na quarta-feira, a reunião da conferência de líderes parlamentares vai ajudar a estabelecer também as prioridades das várias bancadas para as próximas semanas. A primeira sessão plenária só terá lugar no dia 19 de setembro.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.