Premium Derrick Rose. O mais jovem MVP da NBA desceu ao abismo mas quer reerguer-se

O jogador norte-americano estava no topo do basquetebol em 2011. Mas lesões sucessivas retiraram-lhe explosão e qualidade. Nesta semana anotou 50 pontos, um máximo de carreira, e chorou. Problemas fora do campo acompanharam um percurso cheio de altos e baixos.

A melhor celebração da noite de Halloween em toda a NBA foi a de Derrick Rose, jogador dos Minnesota Timberwolves, que entrou em campo renascido a lembrar os bons tempos, antes das várias lesões que diminuíram drasticamente a capacidade atlética de um basquetebolista que parecia destinado a ter outra história na modalidade.

Nem as previsões mais simpáticas dariam a Rose 50 pontos - um máximo de carreira - seis assistências, quatro ressaltos e ainda um bloco decisivo que deu a vitória à equipa de Minneapolis sobre os Utah Jazz, na passada quarta-feira. Foi a primeira vez que apareceu no cinco inicial da equipa em que chegou em março deste ano e jogou 41 minutos, tempo de jogo que não tinha há muito tempo, porque as lesões assim o ditaram. No final do jogo, e ainda no campo, chorou ao ser entrevistado, dedicando o jogo aos fãs e à equipa. A exibição não passou indiferente a ninguém. LeBron James, por exemplo, disse estar "contente" e "orgulhoso" de Rose.

"Dei tudo o que tinha. Antes do jogo os meus colegas disseram-me apenas para jogar o que sabia e foi isso que fiz. Foi uma grande noite. Nós temos uma equipa jovem e o meu trabalho como veterano é ajudar e liderar dando o exemplo. Isto significa muito para mim ", afirmou Derrick Rose entre lágrimas, logo a seguir ao jogo.

Atlético, agressivo, a finalizar perto do cesto, mas também com acerto de longa distância, algo que não é um dos seus melhores atributos, Derrick Rose parecia, na passada noite de Halloween, ter voltado a 2011, quando ainda jogava nos Chicago Bulls. Nesse ano, além de ter levado a equipa ao melhor recorde da época regular da liga, estabeleceu uma marca que ainda detém: o mais jovem de sempre a ser eleito o jogador mais valioso da NBA (MVP), com 22 anos. Ao serviço dos Chicago Bulls, apenas Michael Jordan tinha conseguido ser MVP da fase regular.

Derrick Rose chegou a MVP na sua terceira época na liga - na primeira (2008/09) foi a primeira escolha do draft (em que são escolhidos os novos jogadores) e foi eleito rookie (novato) do ano. No entanto, o que se supunha uma história de grandeza transformou-se num calvário que tornou um jogador explosivo num atleta irreconhecível. E não foi só dentro do campo que a história de Rose se complicou.

25 anos, 200 jogos falhados

O galardão de MVP valeu-lhe uma extensão de contrato de cinco anos com os Bulls no valor de cerca de 85 milhões de euros, no início da época 2011-2012. Rose foi votado para o jogo All-Star pela segunda vez nesse ano, mas várias lesões contraídas nessa época só lhe permitiram realizar 39 dos 82 jogos da época regular. O princípio do fim dos grandes afundanços, dos saltos e das jogadas estonteantes surgiu já no playoff frente aos Philadelphia 76ers, em abril de 2012. Derrick Rose lesionou-se no joelho esquerdo e após a operação o tempo de recuperação estimado foi de um ano. Como prevenção, acabou mesmo por não entrar em campo na época seguinte (2012-2013).

Após a longa paragem seguiu-se a pré-época 2013-2014 e dez jogos oficiais antes de contrair mais uma lesão grave. Ao fim de um mês de NBA, Derrick Rose voltou a lesionar-se no joelho esquerdo e foi de imediato noticiado que estaria fora até à época seguinte. À sexta temporada de NBA, e falando apenas de época regular, Rose, então com 25 anos, já tinha falhado quase 200 jogos.

Fim nos Bulls e acusações de violação

Em 2014-2015, o jogador fez 51 jogos na época regular - um máximo desde 2010-2011 -, mas várias lesões voltaram a afetar a performance do base dos Bulls, que chegou a falhar 20 jogos já na segunda parte da época, devido a outra operação. Nessa temporada, os Bulls perderam com os Cleveland Cavaliers nas meias-finais da Conferência Este da NBA. Nunca Rose levou os Bulls à final da NBA e apenas em 2011, quando foi MVP, levou a equipa à final de conferência, mas acabaria por perder com os Miami Heat. Com 66 jogos em 82 possíveis, a época de 2015-2016 foi a última de Rose na equipa de Chicago.

Chega então a Nova Iorque para jogar nos Knicks na época seguinte. Mas também não foi feliz. Além de só ter feito 64 jogos, outra lesão no joelho direito obrigou-o a uma quarta operação à nona época na NBA. Em Nova Iorque, entretanto, começaram os problemas fora de campo. Na segunda metade da época foi multado por se ter ausentado da equipa sem autorização, não atendendo telefonemas dos responsáveis dos Knicks, justificando a ausência com "problemas familiares".

Em 2016, Rose e dois amigos foram a tribunal acusados de violação por uma antiga namorada do jogador, que nunca se identificou. O caso remontava a 2013 e a alegada vítima dizia ter sido drogada e violada, o que os três negaram, afirmando que o sexo foi consensual.

Na altura, a falta de provas levou a que não fossem condenados. Mas o processo ainda não está encerrado e Rose será ouvido neste mês num tribunal, depois de a alegada vítima ter recorrido.

De LeBron James à noite de uma vida

Na época passada, Derrick Rose chegou aos Cavaliers de LeBron James, que acabaram derrotados na final da NBA pelos Golden State Warriors. Com participações modestas nos jogos, a passagem do antigo MVP por Cleveland ficou marcada mais uma vez por ausências. Deixou a equipa durante dois meses para refletir sobre o seu futuro no basquetebol devido às constantes lesões - desta vez teve problemas nos tornozelos -, e quando regressou pediu desculpa à equipa. Com a carreira numa trajetória claramente descendente, foi trocado para os Utah Jazz, que acabaram por dispensá-lo.

Chegou depois aos Minesotta Timberwolves, onde reencontrou o treinador Tom Thibodeau, que o treinou na época em que foi MVP, e também outros colegas da equipa de 2011. Apresentou números aceitáveis e renovou pela equipa para esta temporada, aparecendo em grande destaque na noite de Halloween, precisamente frente aos Jazz, equipa que o dispensou sem sequer lhe dar uma oportunidade...

Irregularidades no acesso à universidade

As polémicas de Derrick Rose são antigas, ainda dos tempos de universitário. Uma das primeiras aconteceu quando ainda era a figura maior dos Memphis Tigers e a equipa chegou à final da NCAA (torneio universitário dos EUA), depois de uma época (2007-08) com 38 vitórias. Na final, no entanto, os Tigers foram derrotados pelos Kansas Jayhawks, por 75-68.

Oficialmente, essas 38 vitórias não existem, devido a uma fraude num dos exames de acesso à universidade por parte de um jogador da equipa, que mais tarde, segundo a ESPN, soube tratar-se de Derrick Rose. A situação levou a que a Universidade de Memphis fosse castigada pela NCAA e que os resultados fossem retirados.

Outro dos motivos que levaram ao castigo envolve o irmão de Derrick Rose, Reggie, que foi transportado várias vezes pela equipa para assistir aos jogos, o que também não era permitido.

Nos EUA, existem duas versões da história, mas ambas explicam que o resultado do exame foi adulterado. Alguns meios de comunicação referem que a nota foi subida de "D" para "C", de maneira a ser suficiente para a entrada na universidade, enquanto outros dizem mesmo que Rose teve outra pessoa a fazer o teste por ele.

Rose quer mais um recorde

Numa recente entrevista, Derrick Rose afirmou estar de olho no prémio de Sexto Homem do Ano, que a NBA atribui ao melhor suplente de cada época. Apenas Bill Walton, pai de Luke Walton, que atualmente treina os Los Angeles Lakers de LeBron James, tem os dois: venceu o MVP em 1978 e foi melhor suplente em 1986.

Para Ricardo Brito Reis, comentador da NBA na Sport TV, este objetivo não será facilmente concretizável. "Os prémios individuais estão historicamente ligados a números e, neste momento, Derrick Rose não tem a mesma consistência estatística que outros suplentes da liga. Mas quem vota são pessoas e as emoções e as narrativas também entram em consideração, portanto tudo é possível. Sinceramente, não acredito", afirmou ao DN.

O especialista em basquetebol acrescenta que, "como nunca foi um grande lançador", Rose é "mais fácil de limitar ofensivamente" depois das "três graves lesões nos joelhos" lhe terem tirado "capacidade de explosão", que era o "valor diferenciador" do jogador dos Timberwolves. No entanto, o que mais surpreendeu Ricardo Brito Reis no jogo em que o mais jovem MVP de sempre marcou 50 pontos foi mesmo a "disponibilidade física" de Rose.

Sobre essa exibição, diz que a "vingança" contra os Jazz também teve um papel importante na atuação de Rose. "Mas esta é sobretudo uma história de resiliência de alguém que, depois de três lesões gravíssimas e que fariam muitos desistir de ser profissionais, trabalhou muito para regressar e, apesar de estar longe do fulgor dos tempos, ainda tem capacidade para ser um jogador sólido na melhor liga do mundo. Foi só um jogo de fase regular, mas para o Rose foi o culminar de uma recuperação, talvez mais mental do que física, e isso explica as lágrimas no final da partida", finaliza.

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