Premium Uma boa notícia

Já não me recordo da última vez que aqui escrevi sobre uma boa notícia. E esta é boa para os mais de 500 milhões de cidadãos da União Europeia. No dia 27 de novembro, o importante Comité do Parlamento Europeu (PE) para os Assuntos Económicos e Monetários (ECON), composto por 50 deputados (de um total de 751), rejeitou através de um empate (25:25) a proposta da Comissão Europeia (CE) para integrar o sinistro Tratado Orçamental (TO) no direito da União Europeia.

Antes de passarmos ao significado, gostaria de recordar quem votou a favor e contra a proposta da CE para transformar a austeridade em lei europeia. Favoravelmente votaram os liberais (ALDE, com 68 deputados no conjunto do PE), os democratas-cristãos (PPE, onde se sentam o CDS e o PSD, contando 217) e os conservadores reformistas (ECR, com 74). Contra a proposta votaram os socialistas (S&D, a grande mudança, pois em 2013 estiveram na linha da frente do apoio ao TO, integrando o PS este grupo que conta 189 deputados), a esquerda unida com os verdes nórdicos (GUE-NGL, aqui se sentam o PCP e o BE, contam 52), os Verdes com seus aliados (G-EFA, com 51). Votaram também duas formações da área populista (a EFDD, com 45, e a ENF, com 37).

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.