Vacinar, sim. Defraudar expectativas, não

O que mais desejamos, além do fim da pandemia? Uma vacina. Rápida, eficaz, indolor. Os atrasos das farmacêuticas na entrega das vacinas à Europa trouxeram desânimo. Os adiamentos surtiram um efeito terrível em termos sociais e económicos. Agora, numa tentativa de reatar a confiança - e acreditando que, desta vez, as produtoras de vacinas vão cumprir com as entregas - , a União Europeia informou ontem que estima que em meados de março "tudo vai funcionar normalmente" na produção e na distribuição de vacinas contra a covid-19 nos Estados membros. Pela voz da comissária da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, soubemos que "a expectativa é que dentro de duas, três semanas, tudo vá funcionar normalmente com os níveis de produção e de distribuição muito mais fortes do que até agora". A comissária acredita que à medida que se alcance a "velocidade de cruzeiro" os países terão de concentrar-se na "capacidade" de administrar as vacinas à população, porque irão "chegar, chegar e chegar". A Europa deu luz verde a três vacinas, mas já admite recorrer também à fórmula russa, desde que se sujeite à verificação da Agência Europeia de Medicamentos.

Uma nota de otimismo importante numa fase em que os europeus em geral, e os portugueses em particular, acusam cansaço do confinamento prolongado. Também neste domingo, o presidente do Parlamento Europeu apelou aos países para acelerarem a vacinação. Assegura que, neste momento, foram entregues 51 milhões de doses na UE e foram administradas 29 milhões. David Sassoli questiona porque não se vacinam idosos de dia e jovens saudáveis à noite. Ora aqui fica a sugestão para a Direção-Geral da Saúde.

A UE tem o objetivo de vacinar 70% dos europeus até ao final do verão, ou seja, 225 milhões de cidadãos. Até agora, foram vacinados só 10%, o que equivale a 25 milhões. Ainda é muito pouco. Defraudar esta expectativa comprometerá a saúde e a economia, mas também a própria coesão da UE. Esta é a grande oportunidade de reafirmação deste bloco político e económico, em que nos inserimos. Que não deixemos passar o comboio, porque pode não passar duas vezes.

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