O ano da esperança

Esperança é uma palavra de que gosto muito, que uso regularmente nas minhas crónicas e nas minhas conversas. Es-pe-ran-ça tem uma sonoridade incrível. Talvez o facto de valorizar os sons de cada palavra, a forma como são pronunciadas, a dicção e a intensidade das vogais tenha ficado dos meus tempos de jornalista de rádio, nos anos 1990. Esperança é tudo o que precisamos para 2021, que agora começa. A vacina é hoje a tradução mais simples deste termo da língua portuguesa. Mas não só, também a presidência portuguesa da União Europeia nos renova a esperança de fazer mais e melhor. Portugal estará à frente dos destinos dos 27 países nos primeiros seis meses deste ano e tem a sorte de herdar dossiês polémicos já resolvidos, como é o caso do Brexit e da aprovação da bazuca, que irá ajudar à recuperação das economias. Nesta edição, um grande trabalho jornalístico aponta os desafios da presidência portuguesa da UE que, formalmente, se inicia na segunda-feira. Também o tema do Brexit merece uma reflexão aprofundada, pela pena do embaixador britânico em Portugal, Chris Sainty. O Reino Unido é um aliado de Portugal há cerca de 600 anos e as preocupações desta relação futura são grandes, sobretudo para setores que dependem das exportações para terras de sua majestade, como é o caso do vinho do Porto.

Em termos de política externa, do outro lado do Atlântico depositamos fortes esperanças na nossa relação com os Estados Unidos, que a partir de dia 20 têm uma nova liderança, a de Joe Biden. A política de multilateralismo deverá voltar aos palcos bem como a capacidade de diálogo - sem extremismos, racismos ou complexos de Trump -, que marcará, certamente e positivamente, uma nova forma de fazer pontes entre os continentes.

Acredito que as lideranças terão a capacidade de, finalmente, romper com os dogmas do passado, e não me refiro apenas aos Estados Unidos. Na Europa, três mulheres destacam-se pela sua coragem, ousadia e visão estratégica. À cabeça, Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, também Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), e Angela Merkel, chanceler da Alemanha. Quando em 2009 escrevi o livro O Homem Certo para Gerir Uma Empresa É Uma Mulher acreditava que este dia iria chegar. Mas a realidade superou tudo: estas três mulheres ocupam hoje os lugares que estão a fazer a diferença na gestão da pandemia e na congregação da Europa em prol de um bem maior: colocar acima de tudo a força do povo europeu, seja ele frugal ou latino, para vencer uma das piores crises da história recente. Bem hajam a todas as que, na sua realidade e contexto, se tornam um exemplo a seguir.

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