Saúde com atenção "especial" à mortalidade nos próximos dias

Autoridades de saúde subiram o índice do efeito do calor sobre a mortalidade. Há cidades que amanhã vão ter variações superiores a 10 ºC em relação aos valores habituais nesta época.

Todos os distritos do país vão estar nesta quinta-feira com temperaturas muito acima do normal, mesmo para o verão. Os efeitos do calor começam já hoje a ser sentidos, mas amanhã há cidades onde as variações em relação aos valores habituais nesta época ultrapassam ao 10º Celsius, como são os casos de Évora, Leiria e Aveiro. Previsão que leva as autoridades de saúde a subir o alerta do efeito do calor sobre a mortalidade, que ainda no início da semana era de zero, e a reconhecerem que esta é uma situação que merece "observação especial". Cenário a que se juntam ainda poeiras vindas do Norte de África e níveis elevados de ozono.

Os delegados de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo reconhecem que este pico de calor, que em muitas zonas vai ultrapassar os 40 graus Celsius, pode deixar em risco as pessoas mais frágeis, como idosos e crianças. Até porque, argumenta a responsável pela região alentejana, não houve um período de adaptação às temperaturas altas como noutros anos. "Há de facto um risco elevado para a saúde. Temos estado com temperaturas amenas, ainda não há adaptação natural às temperaturas altas, é um pico de calor que chega sem adaptação e acompanhado de poeiras e níveis altos de ozono. Num verão normal não estaríamos tão preocupados", admite Filomena Araújo. O Alentejo tem os dois distritos onde são esperadas as temperaturas mais altas amanhã: 45 ºC tanto em Évora como em Beja.

Numa escala de zero a cinco, em que o zero é efeito nulo sobre a mortalidade e o cinco equivale a consequências graves, estaremos no três


No entanto, até são as regiões norte e centro que têm os maiores riscos de mortalidade neste dias, explica o delegado regional de Saúde de Lisboa, tendo por base o índice de alerta Ícaro, um relatório diário elaborado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). Segundo Mário Durval, o relatório de segunda-feira ainda não falava em efeitos significativos do calor sobre a mortalidade para os dois dias seguintes, enquanto o de ontem já apresentava um panorama bem diferente, que pode afetar pessoas de todas as idades. "Numa escala de zero a cinco, em que zero é efeito nulo sobre a mortalidade e cinco equivale a consequências graves, estaremos no três, em que se assume que há um possível efeito sobre a mortalidade nos próximos três dias, uma situação em observação especial".

Atenção especial que, ainda assim, o especialista em saúde pública prefere desdramatizar, sublinhando que só ajuda a reforçar a necessidade de ter cuidados de saúde por estes dias, em especial os idosos, crianças e doentes crónicos. Conselhos vincados por Sérgio Pires, da Direção-Geral da Saúde, que também fala de uma "atenção mais cuidada" nesta altura. Entre os cuidados recomendados estão a ingestão de líquidos, evitar a exposição solar, em especial entre as 11.00 e as 16.00, e a utilização de protetor solar com fator superior a 30.

Consultas e cirurgias podem ser adiadas


Ontem, a Administração Regional de Saúde do Centro - na qual se incluem distritos como Castelo Branco, onde se esperam 44 ºC graus nesta quinta-feira - ativou o plano de contingência para o calor. Na prática, estes planos podem levar à abertura de camas de internamento, à chamada de profissionais para reforçar os serviços ou até mesmo ao adiamento de consultas e cirurgias programadas. "O código do trabalho prevê chamar pessoas em férias, em caso de necessidade, mas nunca se chegou a essa situação, e também não será certamente desta vez", entende Alexandre Lourenço, presidente da Associação de Administradores Hospitalares, que garante que os hospitais já têm a atividade programada para estes períodos e que três dias consecutivos de calor não colocarão pressão excecional aos serviços.

O código de trabalho até prevê chamar pessoas em férias, em caso de necessidade, mas nunca se chegou a essa situação

Outras fontes hospitalares da região de Lisboa lembram que as escalas de urgências já estão no limite e que não é habitual haver reforço de profissionais por causa do calor. Os responsáveis de saúde aconselham, regra geral, as pessoas a ficar em casa, em especial em regiões muito quentes e em que seja preciso percorrer grandes distâncias para se chegar a um hospital. Em caso de necessidade, pode ligar para a linha SNS 24: 808 24 24 24.

Cuidados de saúde a ter:

- Manter o corpo hidratado e fresco com ingestão de líquidos.

- Evitar a exposição solar em especial entre as 11.00 e as 16.00.

- Utilização de protetor solar com fator superior a 30.

- Usar vestuário adequado - peças de roupa leves, de preferência de algodão, e de cor clara, dado que estas refletem o calor e a luz solar e ajudam o corpo a manter as temperaturas normais.

- Usar chapéu e óculos de sol.

- Fazer um consumo responsável de bebidas alcoólicas.

- Redobrar os cuidados em viagem: evitar a permanência em viaturas expostas ao sol, particularmente crianças e idosos, sobretudo nos períodos de maior calor. Se não tiver ar condicionado, não feche completamente as janelas. Leve água suficiente ou sumos de fruta natural, sem adição de açúcar, para a viagem. Sempre que possível viaje de noite.

- Reduzir as atividades ao ar livre, em especial as que exijam esforço físico intenso, tais como desportos, durante os períodos em que as temperaturas estão mais elevadas (entre as 11.00 e as 16.00).

- Redobrar a atenção às crianças, idosos, doentes acamados e dependentes, oferecendo líquidos com frequência, como água e sumos naturais sem açúcar.

- Redobrar a segurança balnear, incluindo a prevenção de afogamento, e não tomar banho ou consumir água, mesmo que seja para se refrescar, proveniente de fontanários ou lagos decorativos.

- Utilizar apenas água da rede pública ou água engarrafada.

- Seguir as recomendações do Infarmed sobre a utilização e a conservação de medicamentos.

- Em caso de necessidade ligar para o SNS 24: 808 24 24 24.

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