Os orçamentos salariais em Portugal passaram para uma fase de estabilidade em 2026, com as empresas a privilegiarem uma gestão prudente da remuneração, revela o último Salary Budget Planning Survey da WTW. A média do aumento salarial real desceu ligeiramente de 3,5% em 2025 para 3,2% prevista para 2026.A desaceleração da inflação — prevista em 2,0% para 2026, contra 2,4% em 2025 — e uma taxa de desemprego em queda para 6% criam um enquadramento macroeconómico mais previsível. O PIB deverá crescer 2,3% em 2026, segundo o inquérito.Quase metade dos empregadores (43%) não alterou os orçamentos salariais definidos a meio do ano. Entre os que revêem as projeções, 24% apontam para uma redução dos orçamentos, enquanto apenas 7% aumentam as propostas iniciais. As principais motivações para alterações são melhores perspetivas financeiras (29%), escassez de talento (18%), pressões inflacionistas (13%), mudanças na estratégia de compensação (13%) e preocupações com equidade salarial (11%).Paul Richards, Managing Director – Rewards Data Intelligence na WTW, sublinha que "os empregadores entraram em 2026 com prioridades salariais mais claras e maior disciplina, utilizando os orçamentos não apenas como inputs financeiros, mas como verdadeiros instrumentos estratégicos".No domínio da atração e retenção de talento, a percentagem de empresas que não enfrentam dificuldades aumentou para 20% em 2025, ainda que muitos empregadores continuem a reforçar políticas de flexibilidade, programas de compensação e iniciativas centradas na experiência do colaborador.A adopção de inteligência artificial em áreas de Rewards está em crescimento, mas ainda limitada. As empresas planeiam investir mais em benchmarking salarial, arquitetura de funções, gestão de competências e análise de tendências de mercado, áreas onde a IA pode melhorar a tomada de decisão, salienta o relatório.Sandra Bento, Associate Director da WTW, refere que "com os orçamentos salariais a registarem uma maior estabilidade, ganha destaque a necessidade de reforçar o investimento na experiência do colaborador...estes esforços ainda não se traduziram em reduções efetivas dos custos laborais. Neste contexto, torna‑se essencial que as empresas planeiem de forma estratégica a alocação dos seus recursos", conclui.No seu conjunto, os dados apontam para um ano de continuidade e prudência na política salarial das empresas portuguesas, com orçamentos mais previsíveis e práticas consolidadas, apesar da incerteza geopolítica..Um terço dos trabalhadores aceitaria cortes no salário para ficar alguns dias em teletrabalho