Web Summit. Investidores e startups em azáfama para encontrar negócios

Enquanto os oradores falam na cimeira, investidores e startups mantêm reuniões bilaterais todo o dia e trabalham a todo o momento, até nas festas de final de tarde e da noite.

Reunião atrás de reunião, startups e investidores passam quase toda a Web Summit fora dos palcos. A azáfama dura três dias e quase nunca há pausas, conforme o Dinheiro Vivo pôde testemunhar nas últimas 48 horas.

Comecemos pelo lado das startups. "Cheguei pelas 08h30 e tive uma reunião com investidores. Logo a seguir, fiz uma avaliação dessa reunião por e-mail. Se tiver uma pausa, vou falar com possíveis clientes, porque estamos a tentar explorar novas áreas de negócio", explica-nos Carolina Amorim, cofundadora da EmotAI, que desenvolveu um dispositivo para avaliar o desempenho em competições.

Pouco antes das 09h00 já tinha começado o dia para Pedro Santos Vieira, sócio da sociedade de capital de risco Shilling. Ao pequeno-almoço, manteve um encontro num hotel do centro de Lisboa com um dos principais financiadores internacionais da sociedade de capital de risco portuguesa.

"Precisamos de reuniões frequentes para atualizar a nossa estratégia de investimento e falar do estado atual do portefólio." Para Pedro, "embora já se faça muita coisa por Zoom e Skype, com base numa relação construída durante muito tempo, agora encontrarmo-nos em pessoa acrescenta um pouco o lado humano, que é intangível".

Enquanto Pedro e Carolina estavam nas suas reuniões, o primeiro dia oficial da Web Summit já tinha arrancado. No palco principal, por exemplo, já estavam a decorrer apresentações de startups.

Também passavam alguns minutos das 09h00 quando António Rocha, cofundador da Smartex, já estava em contacto com investidores. "Como começámos a operar muito em cima da chegada da covid-19, há muita gente com quem ainda não estivemos presencialmente". Só na Web Summit os investidores poderão ouvir falar mais do dispositivo criado no Porto para ajudar a indústria têxtil a diminuir o desperdício.

Pedro Santos Vieira passou boa parte da manhã no Fórum, a zona reservada da Web Summit para convidados e oradores. Foi lá que o investidor encontrou Norberto Guimarães, português que lidera a startup Talka.ai, solução que liga a voz à inteligência artificial para ajudar as empresas a entender melhor os consumidores.

Enquanto Pedro e Norberto falaram, começaram a aparecer investidores internacionais. Feitas as introduções, Norberto ganhou tempo para apresentar a sua solução a sociedades de capital de risco como a Felicis, que apostou há vários anos na plataforma de design gráfico Canva e que a ajudou a tornar-se numa das tecnológicas mais valiosas do mundo.

"Num espaço como este, mais resguardado, com investidores de referência de todo o mundo, passa sempre alguém que conheces e, sem ter programado, acabamos por ter uma conversa interessante", nota o investidor português. "Lá fora, há um mar de pessoas e há menos probabilidades."

Carolina Amorim não teve muito tempo para desligar do modo de reunião. "O máximo que consigo é ter um almoço rápido, porque depois tenho de fazer uma apresentação e voltar a falar com mais investidores."

Além das reuniões, António Rocha ainda aproveita o certame para preparar a duplicação da equipa ao longo do próximo ano e que conta atualmente com 30 pessoas divididas entre Porto, China e Índia.

"A Web Summit também dá-nos visibilidade para atrairmos talento, ao colocarmos o nosso nome durante a apresentação no palco principal."

O desenvolvimento da rede de contactos - o chamado networking - não para mesmo fora da Web Summit. Pedro Santos Vieira foi a mais duas festas ao final da tarde e ainda organizou outra durante a noite. Antes disso, numa das viagens, como se estivéssemos na cidade norte-americana de São Francisco, houve mesmo um motorista que começou a apresentar o seu projeto de empresa virado para a população sénior.

Para o investidor, as festas servem sobretudo para "conhecer pessoas num ambiente mais relaxado e social, conseguindo ter experiências mais humanas e profundas". Carolina Amorim nota que o convívio social serve para "conhecer outras entidades que nos possam interessar".

Com a rede de contactos cada vez mais recheada, a Web Summit segue esta quinta-feira para o último dia.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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