Verão faz oferta de empregos disparar 25% até junho

Em Espanha, saldos puxam pelos empregos do verão. Em Portugal, é o turismo e, à boleia deste, o comércio que dinamizam as contratações. Adecco espera uma subida de 40%

A retoma da economia e o boom do turismo vão fazer que o verão de 2017 registe o maior crescimento dos últimos três anos na oferta de empregos sazonais. A Randstad tem já mais de 3500 ofertas disponíveis e a Adecco, outra das grandes empresas de recrutamento, fala de um aumento de 25% nas vagas disponíveis só até junho, quando comparado com o mesmo período do ano passado. E a expectativa é que, no pico do verão, o aumento chegue aos 40%.

Entre os setores que estão a puxar mais pelo crescimento das contratações de verão incluem-se a restauração, alojamento, transportes, logística, limpeza, vendas ou atendimento ao público. Mas no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), em que há de momento 8837 ofertas de emprego, procuram-se desde arquitetos a farmacêuticos, passando por analistas e programadores. "Começámos a preparar esta época e as primeiras contratações arrancaram em junho. O número de contratações nesta época de verão regista já uma subida de 25%", garantiu Vanda Santos, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo. A expectativa é que o "crescimento possa chegar aos 40%", conclui a diretora de serviço e desenvolvimento da Adecco Portugal.

Traduzindo em números, aqueles 25% significam mais 2000 ofertas de trabalho. Vanda Santos ressalva, no entanto, que parte deste crescimento é estrutural, ou seja, não está diretamente associado ao dinamismo da época do verão, mas à retoma da economia.

Ao contrário do que sucede em Espanha, em que os saldos de verão (que têm data oficial marcada para arrancar a 1 de julho) deverão gerar 155 mil empregos (mais 7% do que no ano passado), por cá, a possibilidade de as lojas escolherem quatro meses por ano para fazerem saldos e as frequentes promoções esvaziaram o impacto desta estratégia de vendas ao nível das contratações.

"Quando todos iam a jogo ao mesmo tempo e a época de saldos era única, esse efeito sentia-se; agora, isso não se verifica. Os saldos perderam importância nas contratações", precisa Nuno Camilo, presidente da Associação de Comerciantes do Porto.

Em compensação o turismo está a dinamizar a época de empregos de verão. "A cidade do Porto tem a particularidade de ter tido um boom considerável no turismo, que fez crescer toda uma gama de oferta de empregos", precisa ainda Nuno Camilo, apontando os casos da restauração e do alojamento. "Há mais esplanadas, os horários em que estão abertas ao público aumentaram e com isso há necessidade de desdobrar turnos", enumera, sem esquecer todo o dinamismo dos serviços associados ao alojamento local.

A este tipo de oferta, Vanda Santos junta outro tipo de profissões, desde rececionistas a motoristas, repositores de armazém e vendas. A responsável da Adecco ressalva ainda que, apesar de este ser já o terceiro ano de crescimento de emprego, 2017 é o primeiro ano que se sente de forma mais acentuada a decisão das empresas em procurarem também pessoas para substituírem os trabalhadores que entram de férias. É um novo dinamismo que tem marcado a retoma económica e o crescimento da confiança dos empresários. Na Randstad, o peso dos saldos nas contratações é também pouco expressivo. Mas o acréscimo de pedidos de recrutamento para a época de verão que chegam à empresa também não se resumem só ao turismo - setor onde têm disponíveis cerca de 1500 ofertas de trabalho. "Estamos a registar uma forte procura na agricultura, no retalho, em projetos relacionados com call center", referiu Carla Marques, da Randstad, ao DN/Dinheiro Vivo.

Mas não só. Sinal da retoma da economia é que entre as ofertas de emprego incluem-se muitos pedidos de recrutamento por parte da indústria, onde a Randstad tem cerca de 2000 vagas em aberto. "Há de facto uma subida de pedidos de trabalhadores para a época de verão e em alguns casos sentimos até algumas dificuldades em responder", precisa Carla Marques. Uma dificuldade que se tem acentuado com a descida da taxa de desemprego.

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