Turismo não está no PRR porque "não precisa de reformas estruturais",  mas vai ter apoios 

Secretária de Estado assume que o Certificado Verde Digital era um dos objetivos da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. Este livre-trânsito ainda não está operacional, mas governante espera que veja a luz do dia antes do final de junho.

O setor do turismo não está presente no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), defende a secretária de Estado do Turismo em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo, porque não precisa de reformas estruturais. Ainda assim, e depois de mais de um ano de travagem na atividade, o setor vai ter um plano específico, com medidas de curto e de longo prazo. Neste primeiro semestre, Portugal comanda a presidência do Conselho da União Europeia e colocou o turismo na agenda, um dos setores mais afetados pela crise.

Portugal tem a presidência do Conselho da União Europeia até ao final do semestre. Porque foi importante colocar o turismo na agenda da presidência?
Tivemos desde o início dois grandes objetivos: um a curto prazo e outro a médio-longo prazo. A curto prazo, o nosso esforço passou sobretudo pela harmonização das regras de viagens. A proposta sobre o Certificado Digital Verde foi apresentada no dia 1 de março pelos vários ministros e secretários de Estado ligados ao turismo. Teve bom eco na própria Comissão Europeia, tendo sido anunciado no próprio dia 1 de março a resposta positiva a este entendimento dos ministros e dos secretários de Estado do Turismo. A médio-longo prazo também tínhamos um objetivo, que era colocar o turismo na agenda europeia e comprometermo-nos - todos os Estados-membros - a reconhecer o contributo que o turismo pode aportar ao nível da sustentabilidade, portanto um turismo mais sustentável, mais responsável, mais inclusivo, sendo certo que tínhamos como objetivo fazer passar nas conclusões do Conselho uma nota específica sobre o turismo. Esse documento já passou pelo crivo dos vários grupos de trabalho - inicialmente o grupo de trabalho do turismo e depois, mais tarde, será, penso eu, bem apreciado e aprovado no Conselho da União Europeia, aquando do término da nossa presidência.

Numa altura em que o turismo foi tão duramente afetado, não teme que palavras como sustentabilidade possam ser vistas como entrave à atividade?
No caso português, a palavra sustentabilidade já está inscrita na nossa estratégia há vários anos. A Estratégia 2020-2027 tinha um objetivo claro: turismo mais sustentável ao nível social, económico e ambiental. A preocupação que identifica é legítima, mas cumpre-nos a nós sermos ambiciosos no que toca ao setor do turismo e cumpre-nos ter os instrumentos financeiros e outros para corporizar esta ambição.

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