Seis anos: Moody's mantém dívida de Portugal no lixo

Agência de rating já tinha feito o mesmo a 13 de janeiro deste ano

A agência de rating Moody's manteve, nesta sexta-feira, a avaliação negativa à República Portuguesa, vai para quase seis anos (desde julho de 2011, quando despromoveu o país para lixo). Assim, a nota da dívida soberana continuará num nível especulativo, ou "lixo", e as perspetivas mantém-se estáveis, confirmou a empresa numa breve nota em que dá conta da "não atualização" da avaliação ao país.

Recorde-se que já tinha feito o mesmo -- ficado em silêncio -- a 13 de janeiro deste ano. A próxima avaliação ao país está agendada para 1 de setembro, podendo haver ou não novidades.

A Moody's é uma das três que classifica a dívida nacional como um investimento demasiado arriscado (as outras são a Fitch e a Standard & Poor"s). A única que destoa nesse veredicto é a DBRS, dando a Portugal uma "nota de investimento". Só desta forma é que o país continua a ser elegível para os programas de compra de dívida pública do Banco Central Europeu (BCE).

Isso tem sido decisivo para que as taxas de juro soberanas se mantenham em níveis relativamente baixos, em redor dos 3,4% atualmente.

No lixo há quase seis anos

Há seis anos (desde julho de 2011) que a Moody's classifica Portugal como investimento especulativo. Foi, aliás, a primeira das grandes agências a avançar com a despromoção.

Mas mais recentemente, o seu discurso em relação a Portugal tem vindo a desanuviar. Tornou-se mais abonatório. Em fevereiro último, numa numa conferência que organizou em Lisboa, a Moody's disse, por exemplo, que a recuperação da economia mais forte do que o esperado em 2016 pode facilitar o cumprimento das metas orçamentais.

Mas há pontos que podem complicar a vida da República Portuguesa. O vetor negativo mais evidente e material é a "fragilidade" do sector bancário por causa do incumprimento (malparado), problema em que também toca Itália, sublinhou um dos analistas principais da agência de ratings Moody"s. Poucas semanas antes, a Fitch tinha alertado para o mesmo.

Além disso, a Moody"s destacou a incerteza política. "O governo minoritário depende de partidos de esquerda que apoiam uma política orçamental mais expansionista", lia-se num dos diapositivos da apresentação.

Em todo o caso, "se houver um crescimento mais robusto em Portugal, e tivemos boas surpresas aí também, recentemente, ou seja, se a situação económica melhorar, claro que a situação orçamental torna-se mais fácil", destacou Dietmar Hornung, economista principal da Moody"s, baseado em Frankfurt.

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