Reino Unido em recessão com queda recorde do PIB: 20,4%

A contração no segundo trimestre é a maior alguma vez registada no Reino Unido.

O Reino Unido entrou esta quarta-feira oficialmente em recessão, pela primeira vez em mais de 10 anos, depois do Produto Interno Bruto (PIB) ter caído 20,4% entre abril e junho, o segundo trimestre consecutivo de contração, foi hoje anunciado.

A National Statistics Office (ONS) indicou que todos os setores da economia do Reino Unido sofreram uma queda devido ao impacto das medidas de contenção postas em prática pelo Governo para conter a propagação do covid-19.

De acordo com as estatísticas, a contração no segundo trimestre é a maior alguma vez registada no Reino Unido.

Recuperação já começou

A economia está a começar a recuperar à medida que o governo diminui suas restrições de confinamento. O crescimento da produção do PIB foi de 8,7% em junho, disse o ONS.

"A economia começou a recuperar em junho, com a reabertura das lojas, o aumento da produção das fábricas e o regresso da construção de casas", observou Jonathan Athow, da entidade britânica de estatísticas.

"Apesar disso, o PIB em junho ainda permanece um sexto abaixo do nível de fevereiro, antes de o vírus atacar. No geral, a produtividade teve a sua maior queda no segundo trimestre. O setor de hotelaria e restauração foi o mais atingido, com a produtividade nesse setor a cair três quartos nos últimos meses", acrescentou.

A recessão da Grã-Bretanha é a primeira desde a crise financeira global de 2008.

A triste notícia económica chega apesar de intervenções governamentais sem precedentes, incluindo o gasto de dezenas de mil milhões de libras em esquemas de apoio ao emprego numa tentativa de evitar despedimentos em massa.

Enquanto isso, o Banco da Inglaterra (BoE) está a injetar centenas de mil milhões de libras em estímulos e reduziu a sua principal taxa de juros para um recorde de 0,1%.

Dados do ONS divulgados na segunda-feira mostraram que cerca de 730 mil trabalhadores foram retirados das folhas de pagamento das empresas britânicas desde março.

Anúncios de cortes de empregos tornaram-se uma ocorrência diária e espera-se que as empresas aumentem o ritmo de despedimentos quando terminar o principal esquema de apoio ao emprego do governo, em outubro.

O BoE espera que a taxa de desemprego suba para cerca de 7,5 por cento no final do ano - atualmente situa-se nos 3,9%.

O banco central prevê também que a economia do Reino Unido terá contraído 9,5% durante todo o ano de 2020 e estima que o produto interno bruto do Reino Unido 9% em 2021.

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