Preço do metro quadrado ultrapassa cinco mil euros em oito bairros lisboetas

Segundo a Confidencial Imobiliário, o preço médio de venda em Lisboa no segundo trimestre foi de 3870 euros por metro quadrado.

Comprar uma casa de 100 metros quadrados custa mais de meio milhão de euros em oito bairros de Lisboa. Números publicados esta sexta-feira pela Confidencial Imobiliário mostram que o preço das casas continua a disparar na capital.

A zona mais cara de Lisboa é a da Avenida da Liberdade, onde o metro quadrado atinge os 7560 euros. Segue-se o Chiado, com um custo médio de 7418 euros. O pódio fica completo com a zona da rua Barata Salgueiro, onde o custo médio do metro quadrado alcança os 6690 euros.

Há um ano, destaca a análise da Confidencial Imobiliário, eram apenas três as zonas de Lisboa onde o custo do metro quadrado ia além dos cinco mil euros. Agora, juntam-se mais cinco. No segundo trimestre de 2019 os preços ultrapassaram esta fasquia nas zonas da Baixa, Glória, Picoas, Bairro Alto e no eixo de São Paulo/Boavista/Conde Barão.

No segundo trimestre de 2018, a zona mais cara era a da rua Barata Salgueiro, com um custo médio de 6010 euros por metro quadrado.

Nas 17 freguesias de Lisboa incluídas na análise da plataforma de imobiliário, o preço médio de venda das casas atingiu, no segundo trimestre do ano, os 3870 euros por metro quadrado, mais 524 euros face ao mesmo período de 2018.

Ana Sanlez é jornalista do Dinheiro Vivo

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.