Preço de pacotes de telecom usados pela maioria das famílias caiu 3%

Nos pacotes com três ou mais serviços mais usados pelos portugueses a redução foi superior à média europeia, no último ano, garante a Apritel, citando o Eurostat

Num ano, os pacotes de telecomunicações, com três ou quatro serviços, usados por 86% das famílias em Portugal viram descer os preços em 3%, garante a Apritel, citando dados do Eurostat. "Ao longo do último ano tem havido uma descida nos preços. Se alguém não quiser reconhecer esse facto está a dar uma visão distorcida do mercado das comunicações em Portugal", vinca Pedro Mota Soares, secretário-geral da entidade que representa as operadoras de telecomunicações no país.

O comentário é uma referência à Anacom, regulador do setor, que tem alertado para a divergência entre o que pagam os consumidores nacionais e os europeus pelos serviços de comunicações. A última vez foi em dezembro, quando afirmou que, entre 2009 e dezembro de 2020, os preços das telecomunicações aumentaram 6,5% em Portugal, em contraciclo com a União Europeia (UE), onde os preços recuaram 10,8%.

A associação das operadoras faz outra análise dos números. "A Apritel tem dito de forma muito clara que a Anacom não publica dados de forma objetiva, quer comparando o último mês em cadeia, quer comparando o último mês do ano passado, quer ainda os últimos 12 meses. E nesse sentido, tem veiculado informações incorretas e evoluções totalmente distorcidas da evolução dos preços das telecomunicações em Portugal", acusa Pedro Mota Soares.

"De 2010 a 2020, as receitas do setor diminuíram 27%, isto é, 1,3 mil milhões de euros, e ao mesmo tempo o número de serviços subscritos pelos consumidores aumentou 25%. O que significa que o preço médio por cada serviço caiu 42%. Mesmo dando mais serviços, e mais inovadores, aos consumidores, a receita média por serviço está a cair", aponta ainda o secretário-geral.

Tudo isto, sublinha, "num momento em que o país confinou, passou a trabalhar e a estudar a partir de casa, e se conseguiu entregar produtos de elevado valor aos consumidores portugueses com um preço que até tem vindo a reduzir. Este é o retrato de um setor dinâmico e competitivo."

Depois de, em dezembro, os preços das comunicações terem caído 1% face a dezembro de 2019 e 0,1% face a novembro, em janeiro voltaram a recuar. "Se olharmos para a evolução dos preços no último ano, há uma quebra de 1,9%, e em 24 meses há uma descida de 5,2%. Isto comprova efetivamente que o preço das comunicações em Portugal se tem reduzido ao longo destes últimos anos", destaca o responsável da associação que representa os operadores. Descidas no mercado nacional, enquanto na média da União Europeia a 27 os preços se mantiveram.

Mercado dinâmico com 5G a caminho

"Quando olhamos para os preços das telecomunicações em pacote, a redução é ainda mais acentuada: ao longo dos últimos 12 meses, o preço das telecomunicações em pacote caiu cerca de 3%. Portugal é, aliás, o país da UE em que o preço em pacote caiu com mais expressão. Isto denota que o mercado das comunicações em Portugal é um mercado de uma enorme dinâmica competitiva, com capacidade de permanentemente entregar mais produtos aos seus consumidores, a um preço que se tem vindo a reduzir nos últimos anos com uma expressão forte", assegura.

Num momento em que o setor prepara as suas ofertas 5G, será esta uma tendência de quebra a manter-se? "Não quero fazer futurologia, mas olhando para o que tem sido o mercado de telecomunicações em Portugal, um mercado dinâmico e competitivo, temos verificado uma diminuição dos preços e uma redução que se tem feito por cada um dos serviços ao longo dos últimos anos".

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG