Preço das casas em Lisboa caiu 1,8% no fim de 2020

Preço dos imóveis residenciais aumentou, em todo o país, 7,6% no terceiro trimestre de 2020, divulgou o INE.

O preço das casas em Lisboa levou um pequeno abalo com o fim do primeiro confinamento devido à pandemia da covid-19. No terceiro trimestre de 2020, caiu 1,8% face ao mesmo período de 2019; no conjunto dos 24 municípios portugueses com mais de 100 mil habitantes, só Lisboa registou esta desvalorização negativa nos imóveis residenciais.

No país, o preço da habitação aumentou 7,6% entre julho e setembro do ano passado quando comparado com o mesmo trimestre de 2019, mas confirmou-se a desaceleração do ritmo de crescimento, divulgou ontem o Instituto Nacional de Estatística. Entre os concelhos mais populosos do país este abrandamento fez-se sentir nomeadamente em Sintra, Cascais, Amadora, Matosinhos e Braga.

A travagem do aumento dos preços era uma tendência que já se vinha a verificar no país e os dados de ontem do INE só vieram confirmar. Dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes 10 apresentaram uma desaceleração dos preços da habitação, sendo que seis pertencem à Área Metropolitana de Lisboa (AML) e um à Área Metropolitana do Porto (AMP). O preço mediano das casas em Portugal fixou-se nos 1 168 euros por m2. Já na AML o preço das casas entre julho e setembro foi de 1 650 euros/m2, acima do valor nacional, e apresentando uma variação homóloga de 10,6%. Na AMP, o valor do metro quadrado atingiu os 1 264 euros/m2, um aumento de 13,7%. Os dados do INE revelam ainda que no Algarve o preço foi de 1 806 euros/m2, um incremento de 7,7%.

Relativamente aos últimos 12 meses terminados em setembro de 2020, o preço mediano das casas no país fixou-se nos 1 160 euros/m2, um incremento de 10,1% face ao homólogo e de 2% quando comparado com o trimestre anterior. As casas novas atingiram um preço de 1276 euros e as usadas de 11 41 euros. Neste período, o preço na AML foi de 1586 euros/m2, na AMP ficou nos 1192 euros e no Algarve rondou os 1711 euros, acima da média nacional.

Foi na AML que se verificou a maior amplitude de valores entre municípios, com Lisboa a apresentar um preço de 3 375 euros - o mais elevado do país e a registar um crescimento homólogo de 5,3% - e a Moita de 877 euros. O INE sublinha que Lisboa voltou a verificar um crescimento homólogo inferior ao total do país, evidenciando uma desaceleração dos preços desde o quarto trimestre de 2018.

Seis freguesias em queda

Entre julho e setembro de 2020, Lisboa viu também os preços caírem em seis freguesias, face ao período homólogo. Na Ajuda, caíram 8,1%, em São Vicente 4,9%, no Beato 3,6%, em Marvila 2,8%, em Campo de Ourique 5,6% e nas Avenidas Novas 2,6%. As freguesias de Santa Clara, Olivais, Benfica, Marvila, Penha de França, Campolide, Alcântara, Carnide e São Domingos de Benfica tiveram preços abaixo da média.

Em contraponto, o preço da habitação em Santo António, Santa Maria Maior e Misericórdia é bem superior ao da cidade de Lisboa, atingindo valores de 5540 euros, 5 372 euros e 4 963 euros, respetivamente. Estrela, Arroios e Alvalade ficaram também acima do valor médio da capital.

Sónia Santos Pereira é jornalista do Dinheiro Vivo

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