OPA da Cofina não impede Cristina de ser acionista da dona da TVI

O empresário Mário Ferreira, que detém 30,22% da Media Capital, poderá ser obrigado a lançar uma oferta concorrente e pagar mais do que a Cofina.

Não será a OPA da Cofina à Media Capital a impedir Cristina Ferreira de ser acionista do grupo dono da TVI. Já Mário Ferreira arrisca ter de lançar uma oferta sobre o grupo de media, onde já detém 30,22%, caso a análise da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ao acordo parassocial que tem com os espanhóis da Prisa concluir que os dois acionistas estão concertados. Se isso acontecer, terá de pagar pelo menos 2% a mais do que a Cofina. O grupo dono da CMTV oferece 35 milhões pela Media Capital, mas caso o empresário da DouroAzul seja obrigado a lançar uma oferta concorrente, pode deixar cair a OPA.

Apesar de estas operações determinarem várias limitações, nada impede a venda ou a compra de ações. "A oferta não implica nenhuma restrição à transmissibilidade de ações, pelo que qualquer dos acionistas pode vender antes e independentemente da OPA, e qualquer terceiro pode comprar ações em mercado ou fora de mercado", esclarece fonte oficial da CMVM. Na prática significa que o grupo dono da TVI e da Rádio Comercial pode ter novos acionistas, mesmo durante a OPA lançada pelo grupo de Paulo Fernandes.

Em meados de julho, Cristina Ferreira, que regressa em setembro à TVI, tinha manifestado a intenção de ser acionista da Media Capital. Embora não seja conhecido o valor da participação, terá de ter, pelo menos, 2% para alcançar uma posição qualificada. Hoje o grupo é detido a 64,47% pela Vértix, da Prisa, com a Pluris de Mário Ferreira a deter 30,22% e o banco galego Abanca a controlar 5,05%, estando o restante capital (0,26%) em freefloat.

Paralelamente, as relações entre a Prisa e o seu acionista minoritário, Mário Ferreira, estão a ser analisadas pelo regulador. Os acordos parassociais, fechados aquando da compra dos 30% do empresário no grupo, "contêm cláusulas relativas à transmissibilidade de ações e que envolvem, conjuntamente, participação superior a 50% dos direitos de voto", informou a CMVM. "Os mesmos são instrumentos de exercício concertado de influência, o que pode originar a constituição do dever de lançamento de OPA". Mas apenas a Pluris está obrigada a isso, já que a posição da Prisa está "legitimada por uma OPA obrigatória concluída a 23 de julho de 2007".

Se for obrigado a lançar a oferta, Mário Ferreira terá de pagar, pelo menos, 2% a mais do que a Cofina - que propõe desembolsar 0,415 euros por ação, mas o valor final dos títulos será determinado por um auditor independente. E a Cofina pode retirar, se o quiser, a sua proposta.

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

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