Oferta da EDP penaliza pequenos acionistas da EDP Renováveis

António Mexia defende que proposta da EDP sobre a Renováveis é "atrativa" para as duas partes, mas analistas e investidores discordam. EDP espera concluir o negócio até setembro

Foi uma autêntica descarga elétrica a que atingiu ontem as ações da EDP Renováveis: os investidores deram ordem para comprar e rapidamente o preço dos títulos superou o valor da OPA da EDP. As ações da energética fecharam a valer 6,9 euros, mais 1,5% face aos 6,80 euros oferecidos pela EDP, e com uma subida de 10,10% face à abertura da sessão. Só ontem, trocaram de mãos mais de 6,6 milhões de títulos da empresa, muito acima da média diária, que ronda os 500 mil.

Menos de nove anos depois de entrar em bolsa, a EDP Renováveis pode estar em vias de sair e a um preço significativamente mais baixo. Para os pequenos acionistas, donos dos 22,5% da Renováveis que a EDP quer adquirir por 1,33 mil milhões de euros, vender por 6,8 euros as ações compradas a oito euros em 2008 não é, na visão dos especialistas, um bom negócio.

Para a ATM, associação que representa os acionistas minoritários da EDP Renováveis, a proposta da empresa liderada por António Mexia é "manifestamente baixa". "Quando se coloca uma empresa em bolsa, esta devia gerar valor para o acionista, ou seja, o preço devia ser acima do valor da oferta pública de venda, o que não acontece", sublinha Octávio Viana, presidente da entidade, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo.

Na apresentação da OPA aos analistas, o CEO da EDP garantiu que a proposta de 6,80 euros por ação é "atrativa tanto para os acionistas da EDP como para os da EDP Renováveis". Uma convicção que também não é unânime entre os operadores do mercado. "Para os acionistas da Renováveis o preço pode parecer pouco atrativo. De qualquer forma, traduz também o aproveitamento de uma oportunidade por parte da EDP, tendo em conta que a cotação da Renováveis foi nos últimos meses afetada pelos receios em torno de possíveis alterações na legislação das energias renováveis nos EUA após a eleição de Donald Trump", observa Albino Oliveira, da Patris Investimentos. A visão é partilhada pela equipa do Haitong, segundo a qual "o preço oferecido pela EDP não reflete totalmente o valor subjacente do ativo". O banco aponta um preço-alvo à Renováveis de 7,9 euros.

João Tenente, gestor da corretora XTB, prefere destacar o " impacto direto" que o negócio terá nas contas da EDP, nomeadamente "o aumento da base de clientes". Além disso, sublinha, "o valor oferecido na OPA é justo", visto que paga um prémio de 10,5% face à média dos últimos seis meses "e dá alguma margem para que o preço chegue aos 7,1 euros, que é o target esperado".

Entre as 25 instituições que acompanham a atividade da EDP Renováveis, o preço-alvo médio das ações ronda os 7,08 euros. Olhando para as 14 casas de investimento que emitiram notas de análise desde o início do ano, o valor desce para os 6,9 euros.

A OPA sobre a Renováveis foi revelada pela EDP após o anúncio de outra grande operação: a venda da espanhola Naturgas por 2,59 mil milhões de euros. É este "dinheiro fresco" que vai servir para financiar a compra da energética liderada por Manso Neto, mas também para reduzir a dívida da EDP, que ultrapassa os 15 mil milhões. O próximo passo da operação será a apresentação do prospeto da OPA, que, segundo Mexia, deverá acontecer nas próximas semanas. O presidente da EDP quer ter o negócio fechado no terceiro trimestre do ano.

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